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    Um crânio que acende: peça do Museu de Morfologia da UFT é premiada em congresso internacional
    CIÊNCIA QUE SE VÊ

    Um crânio que acende: peça do Museu de Morfologia da UFT é premiada em congresso internacional

    Modelo anatômico utiliza iluminação LED para revelar os seios paranasais sem cortes no osso e aproxima o conhecimento de Anatomia de estudantes e visitantes do museu

    Por  Virgínia Magrin  | Publicado em 16/09/2026 - 11:14  | Atualizado em 16/09/2026 - 11:37
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    À primeira vista, parece apenas um crânio. Mas, quando algumas luzes são acesas, o que está escondido dentro dele ganha cor e fica muito mais fácil de enxergar. Foi justamente essa combinação entre anatomia, criatividade e uma solução simples que levou um trabalho desenvolvido no Museu de Morfologia da Universidade Federal do Tocantins (UFT) ao primeiro lugar na apresentação de trabalhos do XXVIII Congreso de Anatomía del Cono Sur, realizado em Pucón, no Chile.

    O trabalho, intitulado “Iluminación LED de los Senos Paranasales en un Cráneo Humano como Recurso Didáctico para la Enseñanza de la Anatomía y Divulgación Científica en el Museo de Morfología de la UFT”, apresenta um modelo anatômico criado para facilitar a visualização dos seios paranasais, cavidades localizadas no interior dos ossos do crânio.

    A ideia nasceu de um desafio conhecido por quem ensina Anatomia: visualizar essas estruturas não é simples. A sobreposição dos ossos dificulta a identificação precisa dos seus limites. A solução encontrada pela equipe foi colocar a luz onde normalmente não conseguimos enxergar.

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    Luz onde os olhos não alcançam

    Para desenvolver a peça, foi utilizado um crânio humano devidamente preparado. Por meio de pequenas perfurações, foram inseridos LEDs de alta intensidade no interior dos seios paranasais. As luzes receberam cores diferentes para identificar as estruturas: azul para os seios frontais e verde para os seios maxilares.

    O sistema foi conectado a uma fonte de energia independente e conta com interruptores individuais, permitindo acionar a iluminação conforme a estrutura que se deseja observar.

    O resultado é um modelo que permite visualizar e delimitar as cavidades sem a necessidade de cortar o osso.

    “Se antes seria necessário cortar esse crânio para a mesma proposta, por meio da iluminação este crânio passa a ser um objeto musealizado e mais interessante para uso no ensino”, explica a professora Tainá de Abreu, uma das autoras do trabalho.

    A proposta combina um recurso relativamente simples com uma abordagem visual e interativa. Tainá explica, que que em sala de aula, isso permite que os estudantes relacionem com mais facilidade o conteúdo teórico às estruturas anatômicas. A peça também ajuda a compreender a relação dos seios paranasais com processos patológicos, como a sinusite.

    Da sala de aula para o museu

    O modelo não foi criado apenas para as aulas. A peça também integra as atividades do Museu de Morfologia da UFT, sendo utilizada em visitas guiadas e ações de divulgação científica.

    No espaço museológico, a iluminação cumpre outra função: chama a atenção de quem passa. O crânio iluminado desperta a curiosidade e cria uma oportunidade para conversar sobre o funcionamento do corpo humano.

    A proposta permite, por exemplo, explicar por que uma inflamação nos seios paranasais pode provocar dor em regiões específicas do rosto e, ao mesmo tempo, apresentar ao visitante uma estrutura que normalmente não poderia ser observada daquela maneira.

    “É uma peça que chama atenção do público em geral pela iluminação e isso ajuda a despertar o interesse para compreender como é o nosso corpo por dentro”, destaca Tainá.

    Assim, o mesmo objeto circula entre dois espaços: no ensino, ajuda a tornar concreto um conteúdo anatômico; no museu, funciona como ponto de partida para despertar a curiosidade científica.

    Professora Tainá em uma das apresentações

    Uma ideia que saiu da UFT e chegou ao Chile

    Tainá conta que o reconhecimento no congresso também abriu espaço para trocas com pesquisadores e professores de outras instituições da América Latina. Segundo a equipe, após a apresentação, profissionais demonstraram interesse em conhecer e até replicar a técnica.

    Para os pesquisadores, o resultado reforça uma característica importante do trabalho desenvolvido no Museu de Morfologia: a possibilidade de transformar recursos simples em ferramentas para ensinar e divulgar ciência.

    “A premiação nos deu mais confiança para continuar produzindo peças ainda melhores e de alto impacto para o ensino de anatomia e para o museu de morfologia. Isso impacta na difusão e na democratização do conhecimento, que é nosso maior objetivo”, afirma a professora.

    Trabalho coletivo

    O primeiro lugar na apresentação de trabalhos também levou ao Chile um pouco do que é produzido no cotidiano da UFT: professores, técnicos e estudantes trabalhando juntos para encontrar novas formas de ensinar, aprender e aproximar a ciência das pessoas.

    O trabalho reúne profissionais de diferentes áreas e funções vinculados ao ensino de Anatomia e às atividades do Museu de Morfologia.

    São autores da pesquisa as professoras de Anatomia Tainá de Abreu e Gabriela Ortega Coelho Thomazi; o professor do IFTO em cooperação com o Museu de Morfologia Ademar Paulo Junior; os técnicos de laboratório Michele Cezimbra Perim Gatinho, do Departamento de Gestão de Laboratórios, e Cesar de Lima Borges Leão, do Laboratório do Museu de Morfologia; e o aluno de pós-graduação do PPGBEc, Gustavo Antônio Ribeiro Souza.

    O trabalho recebeu primeiro lugar na modalidade de apresentação de trabalho, conforme certificado da premiação.


    Tags:  Palmas,  Propesq,  Museu de Morfologia.  
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