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UFT sedia V Oficina de Governança Regional da Pngati no Tocantins
A Universidade Federal do Tocantins (UFT) sedia, entre os dias 23 e 25 de março de 2026, a V Oficina de Governança Regional da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (Pngati) no Tocantins. O evento reúne lideranças indígenas, representantes de instituições públicas e organizações parceiras para debater estratégias de fortalecimento da governança, autonomia e proteção dos territórios.
A iniciativa integra uma agenda nacional de fortalecimento da Pngati, política pública voltada à proteção dos territórios indígenas, valorização das práticas socioculturais e promoção do etnodesenvolvimento. A programação inclui momentos de plenária conjunta e discussões específicas por território, com o objetivo de construir propostas e consolidar encaminhamentos que contribuam para a gestão ambiental e territorial no estado.
Construção
De acordo com Diego Mendonça, da Secretaria Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Ministério dos Povos Indígenas, a oficina tem papel estratégico na articulação entre diferentes atores. “A oficina tem como objetivo fortalecer a governança regional da política, articulando diferentes níveis — federal, estadual e municipal — e diversos setores. Sem essa integração, a política se torna difícil de ser efetivada, já que os territórios indígenas estão inseridos nos municípios e nos estados”, explicou. Ele também destacou que as oficinas regionais funcionam como etapa preparatória para uma articulação nacional mais ampla da política.
A professora Luciane Silva de Souza, vice-diretora do Câmpus de Miracema e coordenadora do curso de Pedagogia Intercultural Indígena do mesmo Câmpus, é uma das articuladoras do evento na UFT e ressaltou o processo de construção coletiva que antecedeu a oficina: “Esse é um momento que resulta de um processo de organização que envolveu diversas reuniões e articulações para garantir a participação dos povos indígenas e das instituições. A proposta é que esse encontro gere produtos concretos, que contribuam para pensar e gerir os territórios”, afirmou.
Protagonismo e desafios
A participação direta das comunidades indígenas é um dos pilares do encontro. Para Bolivar Xerente, coordenador regional Araguaia-Tocantins da Funai, o protagonismo das lideranças é essencial para o avanço das discussões. “O mais importante é trazer as próprias comunidades, as lideranças, as mulheres, para que apresentem seus conhecimentos e desafios. São eles que conhecem melhor do que ninguém a realidade dos territórios”, destacou. Entre os principais desafios apontados estão conflitos territoriais, pressões de empreendimentos e situações de invasão, que impactam diretamente a proteção das terras indígenas.
Já Marcos Carajá, presidente da Arpit, enfatizou a importância da oficina como espaço de construção das próprias políticas indígenas. “É uma oportunidade de discutir a nossa política da forma que nós queremos. O grande desafio é alinhar essas políticas e fazer com que elas saiam do papel e sejam efetivamente implementadas”, afirmou.
Política pública
A Secretária Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Ministério dos Povos Indígenas, Ceiça Pitaguary, destacou que a Pngati incorpora a visão dos povos indígenas sobre seus territórios. “Essa política traz a visão dos povos indígenas sobre a gestão dos seus territórios, seus modos próprios de proteção, recuperação de áreas e garantia da segurança alimentar. Estar nos estados é fundamental para envolver também governos estaduais e municipais nesse processo de responsabilidade compartilhada”, explicou.
A professora da UFT Reijane Pinheiro reforçou a relevância dos territórios indígenas para a preservação ambiental. “As terras indígenas são reservas de biodiversidade e os povos indígenas são reconhecidos como guardiões dos biomas. Pensar a gestão desses territórios a partir do olhar dos próprios povos é essencial para enfrentar desafios como as mudanças climáticas e os impactos de grandes projetos”, destacou.
Papel da UFT
A reitora da UFT, Maria Santana, ressaltou o compromisso da universidade com os povos indígenas e com as pautas territoriais. “A universidade tem uma relação direta com os territórios e com os povos indígenas, inclusive por meio das políticas de acesso e permanência. Participar desse processo é fundamental para fortalecer o diálogo e construir políticas com as comunidades, e não apenas para elas”, afirmou.
Segundo ela, o papel da instituição vai além do apoio acadêmico: “A UFT participa como parceira, como pesquisadora e também como parte desse território, contribuindo para as discussões e para a construção de soluções junto aos povos indígenas”, completou.
Para a reitora, ao sediar o evento, a UFT reafirma seu papel como espaço de diálogo, construção coletiva e apoio às políticas públicas voltadas à sustentabilidade, à diversidade cultural e aos direitos dos povos indígenas.
Participação institucional
A iniciativa é organizada por vários parceiros, entre eles a Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (Arpit), o The Nature Conservancy Brasil, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais do Governo do Tocantins, Ministério dos Povos Indígenas, Universidade Federal do Tocantins, além de parceiros internacionais como a Cooperação Alemã (GIZ), o Ministério Federal do Meio Ambiente da Alemanha e a Iniciativa Internacional do Clima.