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    UFT realiza Inventário Nacional da Festa do Divino Espírito Santo em três municípios do Tocantins
    PATRIMÔNIO CULTURAL

    UFT realiza Inventário Nacional da Festa do Divino Espírito Santo em três municípios do Tocantins

    Pesquisa financiada pelo Iphan vai documentar referências culturais do festejo tradicional em Natividade, Chapada da Natividade e Paranã, com participação ativa das comunidades locais

    Por  Virgínia Magrin | e | Revisão: Paulo Aires  | Publicado em 29/01/2026 - 11:07  | Atualizado em 29/01/2026 - 18:37
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    A Universidade Federal do Tocantins (UFT) integra a pesquisa que realiza o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) da Festa do Divino Espírito Santo nos municípios de Natividade, Chapada da Natividade e Paranã, no sudeste do Tocantins. A iniciativa teve início em janeiro de 2026 e é financiada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Edital de Chamamento Público nº 05/2023 do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, em convênio com a UFT, com execução orçamentária realizada pela Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto).

    A equipe é coordenada pela professora Noeci Carvalho Messias e reúne docentes, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação da UFT (câmpus Palmas e Porto Nacional), da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade Federal de Goiás (UFG). O projeto também conta com a participação ativa das comunidades locais, consideradas detentoras dos saberes relacionados à Festa do Divino. “A presença da comunidade é fundamental para a produção do conhecimento, pois são os próprios sujeitos da tradição que mantêm vivos os significados, as práticas e os valores da festa”, enfatiza a coordenadora.

    Inventário

    O Inventário Nacional de Referências Culturais é um instrumento do Iphan voltado à identificação, documentação e salvaguarda de bens culturais materiais e imateriais do país. A pesquisa consiste no levantamento sistemático de referências culturais expressivas de um território específico, realizado em diálogo direto com as comunidades envolvidas, incluindo organizadores, festeiros e participantes dos rituais. Segundo a coordenadora do projeto, professora doutora Noeci Carvalho Messias, do curso de Licenciatura em Teatro da UFT, o inventário reconhece as tradições como práticas vivas, constantemente atualizadas pelos seus detentores. “Essas referências são produzidas e renovadas por aqueles que conduzem os ciclos rituais, transmitem saberes e fazeres e atribuem significados específicos às manifestações, muitas vezes ligados à própria identidade dos grupos”, destaca.

    Ela explica ainda, que além de registrar práticas culturais, o inventário contribui para a formulação de políticas públicas voltadas à valorização cultural e à preservação da memória coletiva. Por meio do mapeamento de celebrações, ofícios, lugares e expressões artísticas, a pesquisa irá compor um banco de dados que subsidia ações de salvaguarda e fortalecimento do patrimônio cultural brasileiro. “O patrimônio material e o imaterial, juntos, narram a história, a diversidade e os sentidos que constituem a identidade do povo brasileiro, revelando o que fomos, o que somos e o que buscamos ser”, ressalta a professora.

    A Festa do Divino Espírito Santo é considerada uma das manifestações de caráter devocional e festivo mais importantes do país. Presente em diversas regiões brasileiras, especialmente em áreas formadas no período colonial, a celebração permanece viva por meio da atuação de devotos e festeiros que atualizam e ressignificam práticas herdadas historicamente. A pesquisadora pontua que no sudeste do Tocantins, a tradição está fortemente ligada à ocupação mineradora colonial e à formação de cidades marcadas pela religiosidade portuguesa. Além disso, o festejo apresenta influências da economia pastoril, perceptíveis nos giros das folias, no uso de montarias, nas vestimentas, nos pousos e nos instrumentos musicais utilizados nos rituais.

    A pesquisa inventariante, que tem previsão de conclusão no início de 2027, vai descrever, registrar, documentar e interpretar esses e outros elementos da festa. Desde o início de 2026, integrantes da equipe já estão em campo realizando entrevistas e participando de reuniões preparatórias, principalmente em Natividade e Chapada da Natividade, onde os processos de organização dos festejos já estão em andamento. Entre os momentos observados estão o giro das folias, a festa do Capitão e da Rainha do Mastro, a preparação e distribuição de alimentos, a ornamentação dos espaços rituais, rezas, terços, novenas, o reinado, além do cortejo do Imperador e da Imperatriz. Essas atividades serão registradas nas fichas do inventário, em etnografias e em levantamentos de fontes históricas.

    Nos municípios da região sudeste tocantinense, os festejos seguem circuitos rituais que expressam a devoção ao Divino Espírito Santo por meio de cantos, insígnias, ritos alimentares, práticas de oração e manifestações artísticas, como a suça, dança tradicional marcada pelo ritmo dos tambores e pelas cantorias. A estrutura organizacional da festa também chama atenção, com cargos simbólicos como Imperador, Imperatriz, Capitão do Mastro, Rainha do Mastro e despachantes das folias. Esses papéis remetem à organização social monárquica, ao mesmo tempo em que promovem inversões simbólicas ao permitir que pessoas de diferentes origens sociais ocupem posições de destaque, geralmente definidas por sorteio.

    Noeci menciona que outro elemento marcante é a presença da cor vermelha, símbolo do Divino Espírito Santo. Durante o período do reinado, as casas dos organizadores são pintadas e decoradas com bandeiras, bandeirolas, pombas, altares e imagens religiosas. A bandeira do Divino, com a pomba branca ao centro irradiando feixes de luz — associados aos sete dons do Espírito Santo —, é um dos principais símbolos visuais da celebração e acompanha os rituais ao longo do ciclo festivo.

    Entre os resultados esperados da pesquisa estão a disponibilização do conhecimento produzido às comunidades envolvidas, a ampliação da difusão histórica, artística e etnográfica dos bens culturais tocantinenses, o fortalecimento da identidade cultural local e regional e o aumento da visibilidade do patrimônio cultural do estado em âmbito nacional. O projeto também prevê a criação de um banco de dados que servirá como base para a gestão de políticas públicas, ações de valorização cultural e estratégias de salvaguarda da Festa do Divino Espírito Santo no Tocantins.

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    • Fotos (1, 2, 3, 4 e 5) da reunião com o padre, Imperador e Imperatriz, Capitão e Rainha do Mastro, despachantes e coordenadores (responsáveis pelas três folias) e demais pessoas da comunidade, com objetivo organizar e preparar o giro das folias; reunião realizada dia 23/01/2026, no Salão Paroquial em Natividade. -  Fotos autoria: Simone Camelo.
    • Fotos (6, 7, 8) da reunião realizada na casa da mãe da Imperatriz, em Chapada da Natividade, dia 24/01/2026; além da participação dos festeiros do Divino, despachantes das folias e comunidade local, contou também com a presença dos Imperadores e Imperatrizes das cidades de Natividade e Porto Nacional, do bispo da Diocese de Porto Nacional, do padre de Natividade e do pároco local.  Fotos autoria: Ronalda Pinto.


    Tags:  EXTENSÃO,  Teatro.  
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