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UFT e Secretaria Municipal de Saúde de Palmas iniciam PET-Saúde voltado aos impactos das mudanças climáticas
Calor extremo, baixa umidade, queimadas, alterações na qualidade e disponibilidade da água e aumento do risco de algumas doenças. Os efeitos das mudanças climáticas não se restringem ao meio ambiente e já fazem parte dos desafios enfrentados pela saúde pública. Entender como esses fatores atingem diferentes territórios e construir respostas junto às comunidades é a proposta do PET-Saúde: Clima – Integração Ensino-Serviço e Comunidade na Promoção da Justiça Climática, lançado nesta segunda-feira, 24 de agosto, em Palmas.
O projeto é desenvolvido por meio de parceria entre a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus), no âmbito do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), do Ministério da Saúde.
O lançamento reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Semus e da UFT, além de professores, estudantes e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) que participarão das atividades. O encontro foi destinado à apresentação da proposta, integração das equipes e organização dos trabalhos.
Com duração prevista de 24 meses, o projeto terá atuação interdisciplinar e intersetorial concentrada no Jardim Taquari, região Sul de Palmas, onde estudantes, professores e trabalhadores do SUS desenvolverão atividades relacionadas aos impactos das condições climáticas e ambientais sobre a saúde da população.
Formação
A reitora da UFT, Maria Santana Ferreira dos Santos Milhomem, destacou durante o lançamento a característica prática da iniciativa e a possibilidade de aproximar a formação universitária das situações encontradas nas comunidades.
“O programa leva o estudante para conhecer os problemas da comunidade, mas também para encontrar soluções durante o trabalho que desenvolve com os professores da instituição, com os serviços e com a comunidade”, afirmou.
Segundo a reitora, a composição multidisciplinar permite colocar em contato estudantes de diferentes formações e profissionais que já atuam nos serviços públicos de saúde. Essa diversidade também está prevista na estrutura do projeto. A proposta envolve estudantes e docentes das áreas de Ciências Biológicas, Enfermagem, Medicina, Medicina Veterinária, Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Ambiental, além de profissionais da rede municipal de saúde.
O trabalho será organizado em quatro Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs), articulados em três eixos: produção do cuidado no território e vigilância em saúde; acesso à atenção especializada e integralidade do cuidado; e comunicação e inovação em saúde.
Clima e saúde
A escolha da temática está relacionada às próprias características ambientais do Tocantins. O projeto considera fatores como as altas temperaturas, o período prolongado de seca e baixa umidade, as queimadas e, no período chuvoso, os riscos associados a alagamentos e à proliferação de vetores.
Entre os problemas de saúde que estarão no campo de observação estão doenças respiratórias, arboviroses, doenças de veiculação hídrica e outros agravos associados às condições ambientais.
Para a professora da UFT Kellen Lagares Ferreira Silva, coordenadora do Eixo 3, a articulação entre universidade e serviços de saúde permite aproximar a produção acadêmica das situações vivenciadas pela população.
“Esse contato da universidade, aproximando a academia da sociedade, é fundamental. O edital traz esse olhar de unir a saúde e as mudanças climáticas, principalmente em Palmas, onde temos problemas de saúde relacionados a essas mudanças”, explicou.
Água, ambiente e saúde
No Eixo 1, uma das frentes de atuação estará relacionada à vigilância dos riscos ambientais, incluindo questões como queimadas e qualidade da água.
A professora Patrícia Martins Guarda, tutora do eixo, atua na área de qualidade da água e ressalta que a presença das equipes nos territórios será importante para compreender situações que nem sempre são percebidas apenas a partir da análise teórica.
“Uma coisa é você ter uma visão geral do problema, uma visão teórica. Outra é estar inserido na comunidade, acompanhando e vivenciando a particularidade de cada uma. Cada comunidade é única, tem seus problemas e sua realidade”, afirmou.
Segundo Patrícia, a expectativa é que profissionais de diferentes áreas possam observar as demandas encontradas e, juntamente com a comunidade e a Secretaria Municipal de Saúde, desenvolver frentes de atuação.
Do diagnóstico às ações
O planejamento prevê, entre outras atividades, a realização de diagnóstico socioambiental do Jardim Taquari, com mapeamento de áreas de risco para queimadas e alagamentos, além da identificação de vulnerabilidades climáticas.
Também estão previstas ações de monitoramento da qualidade da água, acompanhamento de agravos relacionados às condições ambientais, atividades educativas, capacitação de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias e desenvolvimento de estratégias de comunicação de risco.
No campo da assistência, a proposta contempla ainda o estudo de fluxos de atendimento diante de situações relacionadas às condições climáticas e ambientais e a construção de estratégias para integrar vigilância, Atenção Primária e serviços especializados.
O Eixo 3 trabalhará com comunicação e letramento em saúde climática, incluindo produção de materiais educativos, atividades comunitárias, rodas de conversa e estratégias de comunicação de risco.
Estudantes participam das ações
Para a acadêmica de Medicina da UFT, Wanny Tapajós, integrante do Eixo 1, a participação no projeto permite relacionar os conhecimentos adquiridos durante o curso às necessidades da população: “Como estudante da área da saúde, vejo a importância de levar de maneira eficiente para a comunidade os conhecimentos que adquirimos dentro da faculdade. Ter essa vivência durante a formação e já nos preparar para o que encontraremos no futuro é muito importante”, afirmou.
A integração entre formação e serviço também é destacada pela coordenadora geral do projeto, Maria do Socorro Rocha Sarmento Nobre, trabalhadora do SUS. Segundo ela, as equipes irão aos territórios para reconhecer problemas relacionados à saúde e ao clima e, a partir desse diagnóstico, desenvolver intervenções ao longo dos dois anos.
“É um programa que integra ensino e serviço com a comunidade, no qual os trabalhadores do SUS, professores da Universidade e discentes vão até os territórios fazer um reconhecimento dos problemas de saúde e clima e realizar um projeto de intervenção”, explicou.
Para Socorro, a experiência também possibilita que estudantes compreendam, ainda durante a formação, a relação entre ciência, cuidado e funcionamento do Sistema Único de Saúde.
Rede municipal
A atuação no território contará ainda com profissionais dos serviços municipais. A secretária municipal de Saúde de Palmas, Ana Paula dos Santos Andrade Abadia, informou que as equipes das Unidades de Saúde da Família, juntamente com agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, participarão das atividades: “A Secretaria de Saúde tem que estar em conjunto com a Universidade para trabalhar com esses tipos de pesquisas e projetos e desenvolver ações no município”, afirmou.
A proposta prevê que essa articulação entre universidade, serviços e comunidade seja mantida durante os dois anos de execução. Além das ações diretamente relacionadas à saúde, estudantes e profissionais de diferentes áreas deverão compartilhar conhecimentos para analisar como aspectos ambientais, urbanos e sociais interferem na exposição da população aos efeitos das mudanças climáticas.
No Jardim Taquari, esse trabalho deverá envolver desde o acompanhamento de riscos relacionados à água, queimadas e doenças até a discussão de alternativas de infraestrutura, comunicação e educação em saúde, conectando a formação universitária às demandas identificadas no próprio território.