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Projeto de fotografia analógica da UFT vence Prêmio de Transformação Social no Intercom Norte
Uma equipe multidisciplinar envolvendo docentes, técnicos e estudantes do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade (PPGCom), do Câmpus da UFT em Palmas, conquistou o Prêmio Intercom de Transformação Social na categoria Extensão, na última sexta-feira (29), com o projeto “Experimentações Analógicas do Fotojornalismo: modos de desacelerar o olhar e ampliar a leitura social da realidade". O reconhecimento ocorreu durante o Intercom Norte, um dos principais eventos de comunicação da região.
Coordenado pela professora Ingrid Assis, o projeto vencedor recebeu um aporte de R$ 5 mil via edital de pesquisa da universidade. O recurso foi integralmente revertido na revitalização do laboratório de fotografia analógica do Complexo de Jornalismo, que estava desativado desde 2016, ano de inauguração do prédio. A ação é fruto da parceria entre o Programa de Pós-graduação em Comunicação e Sociedade (PPGCom) e o curso de Jornalismo da UFT.
“Se tivéssemos mais recurso faríamos muito mais, mas já mostramos que o trabalho que estamos desenvolvendo é sério, tem impacto social e, sobretudo, uma relevância histórica ímpar”, destacou a docente Ingrid Assis.
Esta é a segunda vez que a professora recebe a honraria da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), instituição de maior prestígio na área acadêmica de comunicação no país.
Resgate histórico e o "freio" na ansiedade digital
O projeto conta com uma equipe multidisciplinar que envolve docentes, técnicos e estudantes da graduação e do mestrado. Além da coordenadora Ingrid Assis, assinam o trabalho premiado os pesquisadores Cynthia Mara Miranda, Rafael Silva Motta, Daniel dos Santos, Martha Helena Rodrigues de Souza, Mariana Felix e Nicole Adler.
Através dessa união, foram oferecidas oficinas práticas de fotografia analógica abertas para acadêmicos, egressos da UFT e para a comunidade externa. Sob a instrução do técnico Rafael Motta, os participantes aprenderam todo o processo tradicional de produção fotográfica: desde a captação manual com câmeras de filme até a revelação química e a ampliação em papel fotográfico dentro do laboratório.
Para Motta, a fotografia fotoquímica vai muito além da nostalgia das redes sociais:
"É um objeto de fascinação mágico, desde a sua origem. É como contamos histórias, paralisamos o movimento constante da vida e os fatos históricos (...). É material de controle, de expressão, de experimentação e de arte."
O impacto prático e psicológico da técnica foi sentido diretamente pelos alunos. Danilo Rodrigues, um dos participantes das oficinas, relata que a precisão exigida pelo filme mudou sua percepção profissional.
"Diferente do digital, onde a facilidade nos permite errar à vontade, no analógico o erro pode custar a foto. Essa preocupação nos faz pensar bem antes do clique e fotografar melhor os objetos", explica Danilo. Ele acrescenta um benefício extra para a saúde mental: "A espera para ver os resultados nos ajuda a desacelerar nesses tempos de ansiedade elevada".
Conexão com o futuro: Acessibilidade em 3D
Longe de ficar presa apenas ao passado, a iniciativa conecta a tradição analógica à modernidade digital através de uma parceria com o Labtec 3D, projeto idealizado pelo professor da UFT Warley Gramacho.
As fotos produzidas durante o projeto serão transformadas em peças táteis tridimensionais, permitindo que pessoas com deficiência visual possam "enxergar" as imagens através do toque. "Essas fotografias táteis permitirão a acessibilidade de pessoas cegas e, depois, vão servir de material didático para futuros alunos cegos da UFT", ressalta Gramacho.
Agenda: Exposição no Festival de Circo
O resultado final desse trabalho, que une o clique analógico, o impacto social e a tecnologia inclusiva, poderá ser conferido de perto pelo público em breve. As imagens impressas e as reproduções em 3D farão parte de uma exposição especial sobre o Festival do Circo de Taquaruçu.
O evento cultural acontece entre os dias 2 e 5 de julho, no distrito turístico de Palmas. Saiba mais sobre o projeto via Instagram (@lab.foto.analogica.uft).