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Novo curso de graduação em Inteligência Artificial da UFT tem sua primeira semana de aulas
Noite de segunda-feira, 16 de março de 2026, sala 1 do Bloco E do Câmpus de Palmas da Universidade Federal do Tocantins: neste dia e local, professores e estudantes do bacharelado em Inteligência Artificial da UFT se encontraram pela primeira vez para dar início às atividades de ensino do novo curso de graduação. Com diferentes sotaques - de Palmas, do interior do Tocantins, e de lugares como Pará, Maranhão, Goiás, Bahia e Distrito Federal, a aula inaugural reuniu cerca de 25 alunos da primeira turma - composta por 40 estudantes selecionados pelas notas do Exato (Exame de Acesso ao Ensino Superior do Tocantins) e via Enem/SiSU (Exame Nacional do Ensino Médio e Sistema de Seleção Unificado) - além de sete, dos oito professores que integram o recém-criado colegiado. O grupo de professores é formado principalmente por docentes do curso de Ciência da Computação e do Programa de Pós-Graduação em Governança e Transformação Digital (PPGGTD) - que tem seu mestrado e doutorado avaliados no conceito máximo atribuído pela Capes.
Sem slides nem grandes formalidades, exceto pela abertura com a presença da pró-reitora de Graduação, Valdirene de Jesus, estudantes e docentes tiveram mais de duas horas de conversa, onde falaram sobre expectativas em relação ao curso e também fizeram suas apresentações. "Muitos dizem que a 'IA' pode ser um 'canto da sereia', algo ilusório, ou uma moda que vai passar, mas a gente acredita que essas tecnologias realmente vieram para ficar e cada vez mais fazer parte das nossas vidas, e queremos ser protagonistas nesse processo de desenvolvimento", afirmou o professor Marcelo Lisboa. Ele ainda destacou que um dos grandes diferenciais do curso será a questão metodológica, muito voltada para a prática e a construção coletiva do conhecimento, com participação ativa dos estudantes.
A cada semestre, dentro de cada eixo de aprendizagem, as disciplinas estudadas irão convergir para a criação de um produto, de modo alinhado à ideia de interdisciplinaridade prevista no projeto pedagógico do curso. A expectativa é de que, já ao final do primeiro semestre, os alunos sejam capazes de construir dashboards, ou painéis visuais com relatórios de dados em formato Power BI, uma plataforma de Business Intelligence (BI).
O professor George Brito, que vai trabalhar temas como empreendedorismo e inovação com os alunos, com foco na transformação de projetos digitais em produtos, ressaltou a proposta do curso de estabelecer parcerias que irão enriquecer o conhecimento dos estudantes e promover a empregabilidade. Segundo os professores, o curso pretende estabelecer parcerias para ter acesso a dados reais, que possam gerar produtos aplicáveis ao mercado e a necessidades sociais. "E também pretendemos trabalhar com colaboradores e especialistas externos para aprender tudo aquilo que for necessário para desenvolver nossos projetos sobre os mais diversos temas, por isso nossa proposta é diferente do ensino tradicional", explicou Brito. "Nosso foco principal aqui será resolver problemas e entregar soluções usando técnicas de Inteligência Artificial. Isso é desafiador? Muito! Mas ao mesmo tempo tem um potencial gigantesco. Em pouco tempo a gente espera 'desempregar' nossos estudantes dos seus atuais trabalhos e empregá-los nos nossos projetos", completou ele, reforçando a aposta na formação de profissionais com um perfil inovador que sejam altamente cobiçados pelo mercado de trabalho.
Histórias, expectativas e motivações da 1ª Turma...
Mayara Xerente, única indígena e uma das poucas mulheres a compor a lista de chamada, diz que sempre gostou de tecnologia, ia fazer Psicologia, mas quando ficou sabendo sobre o novo curso de IA sentiu que era esse o caminho que preferia seguir; "Eu não sei muito sobre isso, mas sempre tive muito interesse", disse ela, que é natural de Tocantínia.
Jacinto Pereira Brito, também natural de Tocantínia, conta que chegou a iniciar o curso de Ciência da Computação em outras instituições, mas quando ficou sabendo do processo seletivo para o curso de IA da UFT mudou de planos: "Eu tive um interesse imediato gigante pelo fato de ser um curso novo sobre um tema que se popularizou nos últimos anos. Eu quero saber como é a construção de tudo isso, saber o que está por trás dessas tecnologias".
Lúcio Baccaro, de 38 anos, um dos mais velhos e experientes da turma, entrou no curso de IA em busca do seu terceiro diploma de graduação. Formado em Direito e Educação Física, ele acredita que a nova formação em Inteligência Artificial vai potencializar sua atuação profissional: "Eu já utilizo muito a IA nas minhas duas profissões. Quando fiquei sabendo do curso fui ver minha nota do Enem que eu tinha feito em 2023... aí deu certo e eu 'tô' muito feliz. Acredito que a experiência que eu já tenho nessas duas áreas me permite compreender os problemas que existem e isso vai me ajudar a construir e propor soluções".
Fernanda, de 22 anos, coleciona desde os 17 um histórico de graduações não terminadas, mas acredita que vai finalmenet se encontrar no curso de IA: "Porque eu sou muito da prática, gosto de criar coisas, né", diz ela, que conta que já desenvolveu um sistema por QR code para auxiliar deficientes visuais e uma planilha para calcular rendimentos de uma empresa de forma automatizada.
Pedro Santos, natural de Palmas, conta que enquanto fazia cursinho preparatório para o vestibular estava indeciso sobre qual carreira seguir: "Eu sempre tive um pouco de medo da IA. Pensava em fazer Nutrição, por exemplo, mas tinha medo de depois acabar sendo substituído por uma IA. Então resolvi logo estudar IA e estou muito animado de ter passado direto na primeira chamada e estar aqui".
Aula Magna
Na primeira semana de aulas, a turma do curso de IA tem previstos diversos encontros para apresentação de diferentes setores e serviços da Universidade. Já no dia 27 de março (sexta-feira), às 19h no Auditório da Reitoria, está programada uma aula magna com o professor Anderson Soares, do Centro de Excelência em IA da Universidade Federal de Goiás (UFG). Bolsista de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora do CNPq - Nível 2, Anderson é um pesquisador de destaque em atividades de inovação, transferência de tecnologia e extensão.
O professor atua em áreas como aprendizado de máquina, deep learning e otimização com heurísticas. É fundador do laboratório Deep Learning Brasil, presidente da comissão de criação e atual coordenador do Bacharelado em Inteligência Artificial da UFG. Já contribuiu diretamente para captações de mais de 400 milhões de reais em projetos que proporcionam bolsas para seus alunos com empresas como Data-H, Copel Distribuição, iFood, Américas Health Labs, Falconi Consultores, Natura, CyberLabs, Globo, Itaú, Positivo Tecnologia e outras. Seus projetos desenvolvidos com estudantes já renderam diversos prêmios de excelência em pesquisa científica e inovação. Foi fundador e diretor-geral do Centro de Excelência em Inteligência Artificial de Goiás (unidade Embrapii), onde atualmente atua como coordenador científico. Segundo seu currículo, tem como principal objetivo acadêmico o desenvolvimento de inovação e geração de valor a partir das teses e dissertações.