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    Livro de professor da UFT analisa os limites da interpretação e o fenômeno das fake news
    PUBLICAÇÃO

    Livro de professor da UFT analisa os limites da interpretação e o fenômeno das fake news

    Obra “Os limites da interpretação: teorias do discurso, verdade e fake news” propõe uma reflexão sobre as fronteiras entre sentido legítimo e manipulação da informação na era digital

    Por  Virgínia Magrin | e Revisão: Paulo Aires  | Publicado em 15/06/2026 - 12:57  | Atualizado em 15/06/2026 - 13:49
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    Acaba de ser lançado, pela Pontes Editores, o livro Os limites da interpretação: teorias do discurso, verdade e fake news, de autoria do professor Thiago Barbosa Soares, docente da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Câmpus de Porto Nacional. A obra é resultado de pesquisas financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e investiga um dos desafios contemporâneos relacionados à circulação da informação: os limites entre a interpretação legítima e a manipulação deliberada da verdade.

    Ao longo de seis capítulos, o autor apresenta uma análise das principais teorias do discurso que contribuíram para a compreensão contemporânea da linguagem. O livro aborda as vertentes materialista, representada por Michel Pêcheux; arqueogenealógica, desenvolvida por Michel Foucault; e dialógica, associada a Mikhail Bakhtin, além de discutir contribuições mais recentes de Dominique Maingueneau e Patrick Charaudeau.

    A obra parte da reflexão sobre os impactos da desinformação no ambiente digital e propõe uma discussão sobre a relação entre a abertura interpretativa dos discursos e a disseminação das fake news. Segundo o autor, a ampliação das possibilidades de interpretação, decorrente das transformações na compreensão da linguagem, contribuiu para tornar mais complexas as distinções entre verdade e mentira no debate público.

    O livro também problematiza o que Thiago Soares denomina de “vulgata pós-estruturalista”, expressão utilizada para se referir às apropriações simplificadas de conceitos amplamente difundidos, como “tudo é discurso” ou “não há verdade, apenas interpretação”. De acordo com a análise apresentada, essa simplificação favorece o chamado “vale-tudo interpretativo”, criando condições para a proliferação de conteúdos desinformativos.

    Esgarçamento da interpretação

    Um dos conceitos centrais da obra é o “esgarçamento da interpretação”, definido como o processo pelo qual a abertura legítima dos sentidos discursivos passa a dissolver critérios de validade e verificação.

    Esse fenômeno é analisado em três dimensões pelo autor:

    • Epistemológica: relacionada à dissolução da distinção entre verdade e mentira;

    • Discursiva: associada à simulação de formatos e discursos legítimos, como notícias e relatórios científicos, por conteúdos falsos;

    • Técnico-política: vinculada à amplificação algorítmica da desinformação e à dinâmica da economia da atenção nas plataformas digitais.

    Além do diagnóstico, a publicação propõe uma ética da interpretação fundamentada em três pilares: responsabilidade interpretativa, limites pragmáticos e condições de validade discursiva. A proposta busca estabelecer parâmetros que permitam diferenciar a pluralidade democrática do relativismo, sem recorrer à imposição de um sentido único.

    A obra conta ainda com prefácio do professor Roberto Leiser Baronas, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pesquisador do CNPq, que destaca a inovação teórico-metodológica do trabalho e sua relação com fenômenos contemporâneos, como a politização de campanhas publicitárias nas redes sociais.

    O livro está disponível para aquisição no site da Pontes Editores.


    Tags:  Pesquisa,  Propesq,  Porto Nacional,  Letras Porto Nacional,  Letras.  
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