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Exposição fotográfica do Câmpus da UFT em Arraias é destaque na 3ª edição dos Jogos Indígenas de Miracema
Com imagens impressas em tecidos que balançavam como um varal poético, a exposição “O vento conta” levou arte, memória e consciência socioambiental à 3ª edição dos Jogos Indígenas de Miracema. A mostra foi um dos momentos marcantes do evento, representando o talento dos alunos de Licenciatura em Educação do Campo: Artes Visuais e Música do Câmpus da Universidade Federal do Tocantins, em Arraias.
O acervo nasceu das oficinas de fotografia socioambiental conduzidas pela professora Simone Mamede, dentro do projeto de extensão “Educação (do) sensível: cidadania e sustentabilidade no processo de transformação social”. Dos mais de 300 registros capturados pelos estudantes, 40 foram selecionados para a mostra itinerante. A estreia nos Jogos Indígenas foi estratégica, consolidando o evento como um espaço simbólico de intercâmbio cultural e partilha de saberes.
Para a professora Simone a escolha de expor as fotografias ao vento, fortalece a ideia do movimento e dinamismo no qual tudo é transformação.
“A exposição é fruto não só da técnica, mas de diversos olhares que compõem o todo, é um encontro entre o singular e o universal, entre pessoas, saberes, meio ambiente, culturas, territórios, crenças e sonhos. É um despertar para a transformação social a partir do olhar fotográfico”, destaca.
Segundo a professora, o objetivo da oficina e da exposição vai ao encontro dos princípios da educomunicação e da educação ambiental. A iniciativa contribui para a reflexão sobre a conservação do cerrado e de seus povos, além de reafirmar o compromisso com as lutas sociais, a cultura e a formação sociocultural dos estudantes.
Conexão através do olhar
Para a estudante Alice Ribeiro, do curso de Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc/UFT Arraias), a experiência de integrar a exposição foi descrita como "transformadora",
“A mostra representa o trabalho dos alunos da oficina. Ver aquela curiosidade nos olhos de quem tentava descobrir o que de fato representava cada foto, as pessoas analisando, perguntando como era o processo de imprimir uma foto em tecido, elogiando cada uma delas — foi realmente incrível. Levar um pouco da minha cultura e dos demais colegas para outro município, trocar informações, descobrir que, mesmo em culturas e etnias diferentes, nosso objetivo de luta e de expressão artística é o mesmo”, afirma.
Quem também compartilhou suas impressões foi Maria Clara Rezende, acadêmica de Pedagogia do Câmpus de Miracema:
“A exposição foi algo muito bonito de se ver. Cada detalhe, cada dedicação. As fotos são muito bonitas e trazem aquele ar de estar vendo cada árvore ou ave. O que mais me chamou a atenção foi as fotos estarem em panos, algo criativo que eternizou cada momento. Todos que passavam pela ‘casa dos pombos’ tinham um olhar de admiração”, declara.
Compartilhando do mesmo entusiasmo, o acadêmico Smikrãmi Xerente, do curso de Pedagogia do Câmpus de Arraias, completou:
“Achei muito legal a exposição. É interessante ver as fotos em tecido, diferente. Além disso, as fotos ficaram muito bonitas. Muito bom mesmo.”
A coordenadora do curso de Licenciatura em Educação do Campo, professora Suze Sales, enfatizou o papel da extensão universitária e o impacto positivo dessas ações na formação dos estudantes. Ela destacou a relevância dos projetos desenvolvidos pela graduação e elogiou a participação da acadêmica Alice Ribeiro nos Jogos Indígenas de Miracema.
“Ela demonstrou sensibilidade artística e compromisso com a divulgação de aspectos socioambientais, culturais e comunitários da região. Sua participação evidenciou o potencial da fotografia como instrumento de registro, reflexão e valorização da diversidade cultural, fortalecendo a articulação entre formação acadêmica, extensão universitária e a realidade dos territórios atendidos pela licenciatura”, avaliou a coordenadora.