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UFT discute estratégias para a internacionalização acadêmica no I Fórum do PPGCiamb
Nos dias 21, 22 e 23 de agosto, o auditório da Reitoria da Universidade Federal do Tocantins (UFT) recebeu o I Fórum de Internacionalização do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente (PPGCiamb). O evento, que abordou as "perspectivas, vivências e diálogos interdisciplinares" da internacionalização, reuniu especialistas, docentes, estudantes e gestores para discutir os desafios e oportunidades da internacionalização nas universidades públicas brasileiras, especialmente nas regiões periféricas do Sul Global.
Durante os três dias de evento, foram discutidos temas como financiamento, infraestrutura, mobilidade acadêmica e a necessidade de conciliar as demandas dos estudantes internacionais com a preservação da identidade nacional.
Abertura e Debates
A abertura do Fórum foi conduzida pela professora Patrícia Giraldi, coordenadora do projeto de Internacionalização (Print CAPES), Repositório de Práticas Interculturais na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Patrícia trouxe a experiência de cooperação da UFSC com o Timor Leste, destacando a importância do idioma português como símbolo de resistência política naquela região.
"Precisamos descolonizar o pensamento e utilizar autores do Sul Global. Nessa experiência, tivemos colaboração de reciprocidade, com a publicação de livros e projetos para editais em conjunto. Precisamos estabelecer o diálogo com o Sul Global com projetos entre o Sul Global para o Sul Global”, ressaltou a professora.
Políticas de Internacionalização
O evento também contou com a participação de Helena Albuquerque, coordenadora-geral de Programas de Cooperação Internacional da Capes, e Jaqueline Pinheiro Schultz, coordenadora-geral de Assuntos Internacionais da Educação Superior pelo Ministério da Educação (Sesu/MEC). Ambas trouxeram um panorama das políticas de internacionalização para a pós-graduação e graduação no Brasil.
Jaqueline Pinheiro Schultz enfatizou a internacionalização como uma estratégia central para o desenvolvimento da educação superior no Brasil: "A visibilização do trabalho realizado no Brasil é essencial, seja por meio das pesquisas, da formação de estudantes ou do trabalho dos nossos pesquisadores. A gente precisa desenvolver a formação dos nossos estudantes de uma forma global, que ele possa atuar em qualquer âmbito".
"A internacionalização é fundamental para dar mais visibilidade à ciência brasileira no exterior e trazer mais impacto para a pesquisa realizada no Brasil. É uma possibilidade das instituições conseguirem incorporar as melhores práticas realizadas em outros países. Além disso, ao ir para o exterior ou trazer do estrangeiro, é uma forma da gente aprender, mas também uma forma da gente ensinar o jeito brasileiro de conduzir a ciência no Brasil", afirmou Helena Albuquerque, destacando o papel da Capes na modernização dos currículos e na promoção de intercâmbios acadêmicos.
Estratégias da UFT para Internacionalização
A coordenadora de Relações Internacionais da UFT, Adila Maria, apresentou as diretrizes da universidade para a internacionalização, ressaltando a importância da regulamentação do setor, da oferta de oportunidades linguísticas e da mobilidade internacional. "Estamos focando em cinco pontos principais, incluindo a regulamentação da internacionalização, política linguística, mobilidade internacional, comunicação institucional e acordos de cooperação", explicou Adila.
Confira mais detalhes sobre esses cinco pontos:
· Regulamentação da internacionalização dentro da universidade: a estruturação do setor, a comunicação com os nossos pares e a elaboração conjunta de documentos que nos pautasse, que nos resguardasse quanto à implementação de qualquer ação política ou despesa institucional com a internacionalização, desde que a gente tivesse parâmetros de resoluções dentro de nossas ações perpassando por todos os ambientes, graduação, pago de graduação, extensão e tudo o resto que a universidade produz.
· Política linguística: o idioma é muitas vezes a maior barreira. Então trabalhamos para oferecer oportunidades de aprendizados linguísticos para que nosso aluno esteja preparado tanto para acolher um estudante estrangeiro, quanto para participar de mobilidade internacional. No momento oferecemos aula de inglês, e queremos oferecer espanhol e mandarim para o ano que vem.
· Mobilidade internacional: o objetivo é poder reservar espaço no orçamento do ano que vem para ofertar editais de mobilidade internacional e bolsas
· Comunicação institucional: dar mais visibilidade às nossas ações de internacionalização.
· Acordos de cooperação: é um ponto forte nosso com 45 acordos vigentes. Ainda tem outros acordos sendo desenhados, mas com foco nos acordos de reciprocidade que a gente tem mais possibilidades de efetivar. Buscamos por ações colaborativas para que a gente desenvolva trabalhos e artigos em conjunto, e orientações e coorientações de mestrados e doutorados”.
Perspectivas do PPGCiamb
Kellen Lagares, coordenadora do PPGCiamb, destacou o processo contínuo de internacionalização do programa, que visa ampliar as possibilidades de relações acadêmicas e culturais. Então o programa foi passando por várias fases de amadurecimento e nós chegamos num nível que percebemos que, depois de organizar uma série de etapas internas, a gente precisava ampliar esses horizontes. O programa para nós é uma oportunidade da ampliar as nossas possibilidades de relações com outros estudantes, com outras línguas, outras culturas e poder dar visibilidade ao programa, ao Brasil, ao Tocantins em outras partes do mundo". Além disso, a internacionalização é fundamental para que o Ciamb consiga atingir notas 6 e 7 junto aos órgãos de avaliação, segundo Kellen.
Depoimento de estudante internacional
Também houve momento na programação para os estudantes internacionais da UFT compartilharem suas experiências. O estudante moçambicano Isaac Toaia Musama, atualmente cursando o mestrado no PPGCiamb, expressou gratidão pelo acolhimento recebido e comentou sobre os desafios e adaptações culturais que enfrentou. "Acho que quando estamos com estrangeiros nós temos mais facilidades, temos mais acolhimento, as pessoas fazem de tudo, nos dão mais atenção. Principalmente não falamos a mesma língua, mas tem determinadas coisas que eu falo que as pessoas não entendem. Então, mas eles são muito bons nisso aí pra ouvir e compreender o que eu quero falar", relatou Isaac, ressaltando a hospitalidade dos brasileiros.
Conclusão
No terceiro dia, o evento encerrou com a participação técnico-administrativo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Diógenes Bolwerk. Ele abordou os desafios e oportunidades da Universidade internacional brasileira, com o estudo de caso da Unila. O evento proporcionou um espaço de diálogo e troca de experiências, reforçando a importância de fortalecer as relações acadêmicas internacionais e promover a visibilidade da ciência brasileira no cenário global.