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UFT avança na internacionalização com duas redes aprovadas no Capes Global
A Universidade Federal do Tocantins (UFT) conquistou um resultado expressivo no cenário da cooperação científica internacional ao ter duas propostas aprovadas no resultado parcial do Edital Capes Global. As iniciativas fazem parte de redes internacionais coordenadas pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), reunindo instituições de diferentes regiões do país.
Mesmo com caráter provisório, o resultado posiciona as redes das quais a UFT participa entre as primeiras colocações da classificação geral, o que traz alta expectativa de confirmação no resultado final. As propostas dialogam com temas estratégicos como desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, resiliência climática, mineração em perspectiva global e inclusão social, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às diretrizes da Capes para reduzir desigualdades regionais, especialmente na Região Norte.
Resultado que fortalece a UFT
Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFT, Flavia Tonani, o desempenho alcançado é reflexo de um processo coletivo de fortalecimento institucional. “Mesmo sendo um resultado parcial, a posição de destaque alcançada pelas redes demonstra a consistência técnica das propostas e o compromisso da UFT com a internacionalização da pós-graduação. Esse avanço é fruto do esforço conjunto dos programas, docentes e equipes institucionais”, afirmou.
Com a aprovação, a Universidade amplia suas possibilidades de atuação internacional, com impacto direto na formação acadêmica e científica. Estão previstas ações como mobilidade acadêmica, disciplinas internacionalizadas, coorientação de dissertações e teses, além da consolidação de redes de pesquisa e da capacitação de recursos humanos.
Redes com temas estratégicos
Uma das propostas aprovadas é a rede MineraMundi: Rede Internacional de Investigação da Mineração, Sustentabilidade e Desenvolvimento Social, coordenada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Além da UFT, participam a Universidade Federal de Campina Grande, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal do Oeste do Pará.
A segunda rede aprovada é “Semeando equidade: cooperação global para segurança alimentar, resiliência climática e inclusão social”, coordenada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), com a participação da UFT, da Universidade Estadual de Montes Claros e da Universidade Federal do Vale do São Francisco.
Trabalho de longo prazo e estratégia
De acordo com o vice-reitor da UFT, Marcelo Leineker, o resultado é fruto de um planejamento que vem sendo construído há mais de três anos. “A gente acompanhou as experiências do Capes Print, que foi o precursor do Capes Global, analisando pontos fortes e fracos das propostas anteriores para construir algo mais sólido”, explicou.
Ele destaca que a presença da UFT no resultado preliminar é significativa. “De 52 propostas enviadas nacionalmente, a UFT participou de três e teve duas aprovadas entre as 23 selecionadas até agora. Isso representa quase 10% das propostas contempladas e mostra que a participação da UFT no Capes Global é elevada”, avaliou.
Leineker também ressalta os desafios da próxima etapa. “Agora entramos na fase de gestão das redes. São projetos de quatro anos, com ações como eventos, pesquisas conjuntas e mobilidade acadêmica de curta, média e longa duração, tanto para enviar quanto para receber pesquisadores. O objetivo é transformar essa sinergia em melhorias concretas na qualidade internacional dos programas”, afirmou.
Internacionalização como mudança de cultura
Para a coordenadora de Internacionalização da UFT, Adila Taveira, o Capes Global representa uma virada importante para universidades que antes tinham menos acesso a esse tipo de política. “O programa traz a oportunidade de a universidade brasileira ser protagonista em pesquisa e cooperação internacional, além de qualificar professores, técnicos e estudantes de pós-graduação no cenário global”, destacou.
Ela lembra que, na edição anterior do programa, a UFT não foi contemplada. “Naquela época, percebemos que instituições do Norte ficaram de fora e que a UFT não tinha uma política estruturada de internacionalização. A partir desse diagnóstico, começamos a construir planos, documentos e estratégias para nos preparar”, contou.
Segundo Adila, o trabalho coletivo foi decisivo. “Foram muitas reuniões, palestras e articulações internas e externas. Quando o edital foi lançado, em 2025, tivemos pouco tempo para montar propostas em rede, mas esse preparo prévio fez toda a diferença”, avaliou.
Impactos para toda a universidade
Além do aporte financeiro e científico, a coordenadora destaca que os efeitos do Capes Global vão além da pós-graduação. “Os professores da pós também atuam na graduação, então há uma mudança de cultura dentro da universidade. Trabalhar em rede, com instituições experientes e especialistas nas áreas, significa mais qualidade, mais troca e melhores resultados para os próximos quatro anos”, concluiu.
O edital segue agora para as próximas etapas, que incluem ajustes nas propostas, análises técnica e de mérito e a divulgação do resultado final, prevista para fevereiro de 2026. A implementação das propostas deve ocorrer entre março e maio de 2026, com início das atividades dos projetos em junho do mesmo ano.