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Projeto da UFT vai digitalizar processos judiciais históricos de Arraias e Dianópolis
Documentos judiciais manuscritos podem revelar muito mais do que decisões e disputas legais. Eles também registram conflitos, resistências e aspectos do cotidiano de diferentes épocas. Preservar esses registros e ampliar o acesso a eles é o objetivo de um projeto do Centro de Documentação e Memória de Arraias e Região (Cdmar), da UFT, selecionado no Edital Brasil Arquivos, do Programa Pró-Memórias, realizado pelo Instituto Galo da Manhã em parceria com o Arquivo Nacional.
A proposta “Diagnóstico, preservação e digitalização do acervo cartorial das comarcas de Arraias e Dianópolis (séculos XVIII a XX)” está entre os 20 projetos selecionados entre 712 inscritos de todo o país. O resultado foi divulgado em 29 de setembro de 2026.
Sediado no Câmpus de Arraias, o Cdmar mantém processos judiciais manuscritos das antigas comarcas de Arraias e Dianópolis. Os registros abrangem desde o período colonial até o século XX e permitem investigar aspectos da história do sudeste do Tocantins e do nordeste de Goiás, incluindo a trajetória de pessoas escravizadas e libertas e de comunidades tradicionais.
Preservação
Com o apoio do programa, o projeto realizará um diagnóstico técnico do acervo, além de ações de higienização, acondicionamento adequado, descrição arquivística e digitalização dos documentos. A meta é digitalizar 200 processos, que poderão ser consultados publicamente, posteriormente, no Portal Pró-Memórias.
A iniciativa também envolve estudantes do curso de Direito da UFT, que participarão da digitalização por meio das ações curriculares de extensão do Centro. A proposta articula, assim, a preservação documental, a formação acadêmica e a educação patrimonial.
Além da disponibilização dos documentos digitalizados, o projeto prevê atividades voltadas à comunidade. Entre elas estão uma oficina gratuita de leitura paleográfica — área dedicada ao estudo de escritas antigas — e de preservação documental, visitas guiadas ao acervo para escolas e comunidades quilombolas do entorno e a publicação de uma obra digital de acesso aberto pela Editora da UFT. O livro reunirá estudos de caso transcritos e analisados a partir dos processos judiciais.
“Mais do que guardar papéis, o projeto garante que a história das pessoas que aparecem nos autos possa ser lida, pesquisada e reconhecida por quem hoje vive na região”, afirma o professor Emerson Ramos, coordenador do Cdmar e responsável pelo projeto.
Sobre o edital
O Edital Brasil Arquivos tem como objetivo apoiar a preservação, a organização e a difusão de acervos arquivísticos de diferentes regiões e grupos sociais, incluindo comunidades indígenas e tradicionais, movimentos sociais, comunidades negras e organizações culturais.
A seleção foi realizada por uma comissão julgadora formada por doutores das áreas de Arquivologia e História, vinculados a universidades públicas e ao Governo Federal.