Esse site utiliza cookies
Gestão da UFT inaugura “Banco Vermelho” no Câmpus de Arraias
No dia 19 de maio de 2026, o Câmpus de Arraias deu um passo importante na luta pelos direitos das mulheres com a inauguração do Banco Vermelho. A solenidade marcou a adesão oficial da Universidade Federal do Tocantins (UFT) a essa grande campanha nacional de conscientização e combate à violência de gênero. Agora, o monumento faz parte das ações do programa "UFT por Elas”.
O Banco Vermelho foi instalado no hall do bloco de salas de aula da UFT, o espaço de maior movimento e visibilidade no Câmpus de Arraias. Funcionando como um memorial urbano e um alerta constante, o monumento traz o lema "Sentar, Lembrar e Agir", além de indicar canais de denúncia como o "Ligue 180". A iniciativa busca transformar o luto em conscientização coletiva, ocupando de forma simbólica o espaço que caberia na sociedade às vítimas de feminicídio.
Urgência do debate
A relevância da instalação do memorial no Câmpus é evidenciada pelos indicadores mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O ano de 2025 contabilizou 1.568 feminicídios no Brasil, consolidando um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e o maior patamar da última década.
No cerimonial, ressaltou-se que a violência de gênero atinge uma mulher a cada seis horas no país, com 90% dos casos perpetrados por homens. Na ocasião, a estudante Edilene Santos alertou: "A violência não começa na agressão física; ela começa no silêncio, no controle e no desrespeito. Romper esse silêncio é dever de todos".
Arte e reflexão
Marcada por forte carga emocional, a abertura cultural da solenidade foi conduzida por Thayná Santos, acadêmica do curso de Pedagogia e integrante do Movimento “Mulheres Vivas de Arraias”. Na ocasião, a artista interpretou a obra "Triste, Louca ou Má", de autoria da banda Francisco, el Hombre. A composição, amplamente reconhecida como um manifesto de libertação e denúncia das convenções sociais, estabeleceu a atmosfera de reflexão coletiva que guiou o evento.
Dando sequência à programação, a representante estadual do coletivo Enegrecer, Marayne Pontes, sublinhou a importância do Movimento “Mulheres Vivas de Arraias” e realizou a leitura do conto "Para que ninguém a quisesse", da escritora Marina Colasanti. A obra foi escolhida por ilustrar de forma sensível e profunda as dinâmicas de controle, apagamento e violência psicológica que, rotineiramente, antecedem as agressões físicas.
Compromisso institucional contra o assédio
Na fase dos pronunciamentos oficiais, a pró-reitora de Graduação, professora Valdirene de Jesus, no ato representando a reitora Maria Santana Ferreira dos Santos Milhomem, pontuou os obstáculos intangíveis que desafiam o público feminino cotidianamente. A gestora evidenciou os estigmas, temores e preconceitos estruturais aos quais as mulheres permanecem submetidas por herança cultural, ressaltando o reflexo dessas dinâmicas na sociedade e nas esferas institucionais.
Na mesma linha, a pró-reitora de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, Michelle Matilde Semiguem Lima Trombini Duarte, apontou a relevância singular daquele momento para a comunidade acadêmica. Em sua fala, ela ressaltou que debates como esse são fundamentais para construir relações humanas mais justas, respeitosas e saudáveis, tanto no ambiente de trabalho quanto nos espaços de convivência da universidade.
Complementando a necessidade de ações concretas de prevenção e acolhimento, a gestão local reafirmou a postura de tolerância zero contra desvios de conduta.
"A inauguração deste banco também sela o compromisso inegociável da Direção do Câmpus de Arraias no combate a todas as formas de violência de gênero, deixando claro que o assédio não será tolerado e que a UFT precisa ser sempre um território seguro e livre de medo para todas as mulheres", declarou a diretora do Câmpus, professora Adriana Demite Stephani Carvalho.
Prestigiaram a solenidade autoridades institucionais, apoiadores do projeto, lideranças regionais, bem como o corpo docente, técnico-administrativo, discentes e representantes da comunidade externa, consolidando o caráter comunitário da iniciativa.
Campanha Banco Vermelho
Nascida na Itália em 2016, a iniciativa foi criada por duas mulheres que perderam amigas para o feminicídio, utilizando a cor vermelha para simbolizar o sangue derramado e a ausência dessas vítimas. No Brasil, o movimento ganhou força com a criação do Instituto Banco Vermelho e foi transformado em política pública oficial pela Lei nº 14.942/2024, estimulando a instalação desses marcos em locais de grande circulação para que a sociedade nunca se esqueça de que o respeito salva vidas.