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    Egressa da UFT desenvolve pesquisa sobre técnicas e aprendizagem do artesanato em capim-dourado
    EGRESSOS

    Egressa da UFT desenvolve pesquisa sobre técnicas e aprendizagem do artesanato em capim-dourado

    Trajetória acadêmica iniciada no curso de Ciências Sociais da UFT contribuiu para a construção de estudos sobre o capim-dourado, saberes quilombolas e a identidade cultural do Tocantins

    Por  Virgínia Magrin | e | Revisão: Paulo Aires  | Publicado em 19/06/2026 - 12:46  | Atualizado em 19/06/2026 - 14:44
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    A relação entre o artesanato em capim-dourado, os territórios quilombolas e os modos de transmissão desse conhecimento tradicional é o tema da pesquisa desenvolvida pela egressa do curso de Bacharelado em Ciências Sociais da UFT,  Jéssica Cardoso Carvalho. Atualmente, a pesquisadora cursa o mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo (USP), onde investiga os processos de ensino-aprendizagem que envolvem a produção artesanal do capim-dourado.

    A trajetória acadêmica de Jéssica teve início ainda durante a graduação na UFT, sob orientação da professora Suiá Omim Arruda de Castro Chaves. Desde 2019, a pesquisadora desenvolve estudos sobre a temática, passando pela Iniciação Científica, com a pesquisa As comunidades quilombolas do Tocantins e o capim-dourado: arte e território, e posteriormente pela monografia Capim dourado: artes do cerrado e as cosmopolíticas quilombolas, defendida em 2021.

    Segundo Jéssica, o interesse pela temática nasceu muito antes da vida universitária.

    “Como tocantinense, cresci acompanhando de perto os avanços históricos do capim-dourado e atuando na revenda de peças artesanais para a comunidade de Ponte Alta do Tocantins. Anos mais tarde, ao ingressar no Bacharelado em Ciências Sociais da UFT, desenvolvi pesquisas bibliográficas sobre o tema desde o início da graduação”, relata.

    No mestrado, a pesquisadora busca compreender como ocorre a transmissão dos conhecimentos envolvidos na produção artesanal por meio de uma pesquisa etnográfica desenvolvida junto a associações de artesãos do Tocantins.

    “O objetivo é compreender como se estruturam os processos de ensino-aprendizagem do artesanato de capim-dourado e quais técnicas são fundamentais para o domínio dessa arte”, explica.

    A pesquisa pretende descrever o saber-fazer da atividade artesanal e as técnicas de costura transmitidas e assimiladas ao longo do processo de aprendizagem, com foco especial na chamada Antropologia da Técnica e na cadeia de operações envolvidas na produção dos artefatos.

    O projeto, intitulado O artesanato de capim-dourado: técnica e aprendizagem, foi construído a partir das discussões realizadas no grupo de pesquisa Chama – Coletivo de Antropologia, Ambiente e Biotecnodiversidade, da USP, sob orientação do professor Guilherme Moura Fagundes.

    Saberes tradicionais

    Uma das referências centrais da pesquisa é a artesã Durvalina Ribeiro de Sousa, mestra do artesanato nascida em Mateiros (TO), de origem quilombola, que há mais de 30 anos se dedica à produção de peças confeccionadas com capim-dourado e fibra de buriti.

    Durante a Agrotins 2026, no Pavilhão da Cultura, Jéssica acompanhou de perto o trabalho desenvolvido pela artesã. “Estar ao lado da mestra Durvalina faz parte do meu campo de pesquisa, mas também é uma oportunidade de aprender diretamente com quem mantém esse saber vivo”, afirma.

    Para a pesquisadora, a convivência permitiu conhecer, na prática, as etapas da costura e os modos de fazer que constituem parte importante da identidade cultural tocantinense.

    Jéssica também destaca a importância da UFT em sua trajetória acadêmica. “O ingresso no mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo foi um marco muito importante para mim como pesquisadora e admiradora do artesanato de capim-dourado. Isso só foi possível graças à minha dedicação, às orientações da professora Suiá Omim na graduação e aos trabalhos científicos que realizei durante a minha trajetória acadêmica na UFT, que foram essenciais para a minha bagagem teórica e para o reconhecimento nacional das produções desenvolvidas ao longo da graduação”, ressalta.

    Jéssica e mestra Durvalina durante a Agrotins 2026 (Foto: Arquivo pessoal)

    Relevância

    De acordo com a professora Suiá Omim Arruda de Castro Chaves, a pesquisa surgiu a partir das experiências pessoais da estudante e de seu interesse em compreender a importância social e cultural do capim-dourado no Tocantins.

    “A orientação da pesquisa da Jéssica iniciou-se justamente com o tema. Nas conversas para elaboração do projeto de iniciação científica, ela relatou a importância das viagens realizadas ao Jalapão com o pai e o interesse pelo artesanato, que cria uma ponte entre as comunidades quilombolas, as cidades da região e o turismo”, explica.

    A docente destaca que, inicialmente, a pesquisa integrou o Projeto Cosmopolíticas do Cerrado, da UFT, incorporando discussões relacionadas aos povos do Tocantins, questões raciais, de gênero e às cosmologias quilombolas.

    Segundo a professora, a temática possui grande relevância para o campo das Ciências Sociais por diferentes motivos. O primeiro deles está relacionado ao reconhecimento dos modos de vida e de resistência das comunidades quilombolas, historicamente marginalizadas e vulnerabilizadas diante dos impactos provocados pelo avanço do agronegócio, do desmatamento, do uso excessivo de agrotóxicos e dos conflitos territoriais.

    Outro aspecto importante é a compreensão do que o pensador quilombola Antonio Bispo dos Santos denomina de “saber circular”, ou seja, todo o conjunto de conhecimentos e de envolvimento comunitário necessários para o cultivo, a colheita do capim e o manejo dos territórios afro-diaspóricos.

    Além disso, a pesquisa evidencia as conexões entre comunidades quilombolas e povos indígenas, como os Akwe/Xerente, cujas mulheres também possuem profundo conhecimento sobre as técnicas do artesanato em capim-dourado, ampliando o diálogo cosmopolítico sobre as relações afro-indígenas no Tocantins.

    Produção científica

    Em 2025, Jéssica Cardoso Carvalho e a professora Suiá Omim Arruda de Castro Chaves publicaram o artigo As comunidades quilombolas no âmbito da política social na revista Humanidades & Inovação, ampliando a divulgação científica das pesquisas desenvolvidas a partir da trajetória acadêmica construída na UFT.

    As comunidades quilombolas no âmbito da política social – Revista Humanidades & Inovação


    Tags:  Serviço Social,  Miracema,  Pesquisa.  
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