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Corpos, arte e pertencimento: Terraço da Reitoria da UFT vira palco para a 2ª edição do evento Back to School Ball
Quem passou pelo Terraço da Reitoria da Universidade Federal do Tocantins (UFT), na última sexta-feira (28/08), encontrou um cenário pulsante de cor, música, atitude e acolhimento. A UFT, por meio da Superintendência de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidade (Saaid), sediou a 2ª edição do evento Back to School Ball. O encontro, organizado pelo Coletivo Toca Ballroom, reuniu estudantes, servidores e a comunidade externa para celebrar uma das manifestações artísticas e políticas mais marcantes da cultura LGBTQIAPN+.
Com origem na periferia de Nova York na década de 1970, a cultura Ballroom nasceu como uma verdadeira rede comunitária de acolhimento e resistência, protagonizada por pessoas negras, latinas e trans. Organizados em Houses (famílias escolhidas), os integrantes encontram no movimento um espaço de proteção, identidade e celebração. Na pista, a disputa de categorias em torno do voguing, da moda e da atitude transforma a arte em um ato contínuo de afirmação.
Para a UFT, levar essa expressão para o centro administrativo e simbólico da instituição representa um passo decisivo no fortalecimento de suas diretrizes de inclusão.
"Ocupar a Reitoria com a Ballroom reflete a missão inicial da Saaid de consolidar a instituição como um polo de visibilidade e respeito à pluralidade. Essa manifestação nasceu historicamente como espaço de resistência política e artística para populações negras, latinas e LGBTQIA+. Trazer esse movimento para o centro da UFT reafirma nosso empenho em derrubar barreiras invisíveis, provando que corpos e identidades diversas não apenas transitam pelo ambiente acadêmico, mas redefinem e constroem a própria universidade", destaca a superintendente da Saaid, professora Fabiana Scoleso.
Ações Afirmativas para além da burocracia
A iniciativa reforça que o acolhimento no ensino superior vai além das salas de aula e das políticas formais de auxílio. A garantia de espaços de convivência, cultura e afeto é parte essencial do combate à evasão e do fortalecimento do sentimento de pertencimento dos estudantes.
"A permanência estudantil não se faz apenas com assistência básica, mas também com o direito à cultura, ao afeto e ao sentimento de pertencimento. Ver estudantes, servidores e a comunidade externa integrados, ocupando o terraço da Reitoria com tanta potência, nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Eventos como este provam que as ações afirmativas e as políticas de diversidade na UFT vão além da burocracia: elas ganham vida, geram redes de apoio mútuo e constroem uma comunidade acadêmica mais segura e plural", completa Fabiana.
Construção coletiva
A realização da Back to School Ball - 2º Edição foi fruto de um esforço conjunto com a cena local independente. Guilherme Gandara, conhecido na comunidade como Imperador Gandara da Inesquecível Casa de Mandacaru e uma das lideranças do Coletivo Toca Ballroom — grupo que articula o movimento no Tocantins desde 2022 —, destaca a relevância do apoio institucional para estruturar a edição.
"A parceria com a UFT, por meio da Saaid, foi muito importante para garantir uma estrutura decente para o evento. Conseguimos organizar desde a decoração até a vinda de dois jurados trans de Goiânia, além de abrir uma categoria de show de talentos para quem não conhecia as modalidades tradicionais poder mostrar sua arte", explica Guilherme.
Para o organizador, a união entre o movimento urbano e a universidade aponta para um horizonte de progresso e ocupação de espaços. "A Ballroom acolhe pessoas negras, LGBTQIAPN+ e, especialmente, pessoas trans. É essencial enxergar esses corpos no lugar de protagonismo artístico que o movimento proporciona, mas também na universidade. Precisamos que a nossa comunidade estude, evolua, faça arte e produza ciência", pontua.
Vozes que ocupam e permanecem
Para quem vive e acompanha a cena de perto, ver a passarela montada no coração da universidade carrega um significado que ultrapassa o entretenimento. A egressa do curso de Jornalismo da UFT, Gabriela Carneiro, reforça que a iniciativa representa um marco de validação e ocupação política.
"Eu já acompanho as atividades da Ballroom há um tempo e ver essa cultura ocupando o espaço universitário é, exatamente, a retomada de uma narrativa: estamos aqui e existimos neste lugar. A cena Ballroom no Tocantins traz arte, política, cultura e entretenimento, além de provocar debates essenciais sobre raça e pauta LGBTQIA+. É fundamental que a universidade valide o movimento, abra espaço e dê oportunidade para que essas vozes sejam protagonistas em diversas frentes", afirma Gabriela.
A jornalista ressalta ainda que a integração entre a cultura de rua e o ambiente acadêmico é um pilar vital para a trajetória dos alunos. "Não se trata apenas de acessar o espaço acadêmico, mas de ter condições de existir, permanecer, concluir a formação e ser acolhido enquanto manifesta sua arte e sua cultura", conclui.
Com desfiles, performances e celebração coletiva, a 2ª edição do Back to School Ball reafirma o compromisso da UFT em se manter como uma universidade viva, plural e atenta às transformações sociais do seu tempo.