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    Acervo Povos Indígenas da UFT recebe pesquisador da UFSC para estudos sobre objetos tradicionais e história indígena
    PATRIMÔNIO E PESQUISA

    Acervo Povos Indígenas da UFT recebe pesquisador da UFSC para estudos sobre objetos tradicionais e história indígena

    Visita do professor Lucas de Melo Reis Bueno fortalece intercâmbio científico e destaca o potencial do espaço da UFT em Porto Nacional como referência em preservação, pesquisa e diálogo com os povos indígenas

    Por  Virgínia Magrin | e | Revisão: Paulo Aires  | Publicado em 28/04/2026 - 18:32  | Atualizado em 28/04/2026 - 19:25
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    O Acervo Povos Indígenas da Universidade Federal do Tocantins, vinculado ao curso de Ciências Sociais do Câmpus de Porto Nacional, recebeu a visita do professor Lucas de Melo Reis Bueno, docente do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina. A agenda teve como objetivo levantar informações para pesquisas sobre objetos utilizados pelos povos indígenas do Tocantins, com atenção especial à coleção de machadinhas preservada no acervo.

    Professor efetivo da UFSC desde 2011, Bueno é graduado em História pela Universidade de São Paulo e doutor em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da mesma instituição. Ao longo da trajetória acadêmica, também atuou em centros de pesquisa no Brasil e no exterior, desenvolvendo estudos voltados à arqueologia brasileira e à relação entre arqueologia e história indígena. Desde 1998, mantém pesquisas no Tocantins, especialmente na região do médio Tocantins.

    Segundo o pesquisador, o estado reúne condições singulares para investigações científicas. “O potencial arqueológico no estado é imenso. São mais de 10.000 anos de história, sítios arqueológicos muito diversificados, com excelentes condições de preservação”, destacou.

    Ele destaca ainda que o território tocantinense permite discutir temas centrais da arqueologia brasileira, como o povoamento inicial da América do Sul, os processos de diversificação cultural, o manejo da paisagem e a formação de caminhos e conexões ao longo do Planalto Central brasileiro. Nesse contexto, a existência de espaços universitários voltados à preservação e ao estudo desses materiais fortalece o desenvolvimento científico regional e nacional.

    Machadinhas

    Entre os conjuntos analisados durante a visita, as machadinhas salvaguardadas pelo Acervo Povos Indígenas chamaram atenção por características raras do ponto de vista arqueológico. De acordo com Bueno, muitas peças apresentam lâminas de pedra com encabamento em madeira, combinação incomum em coleções desse tipo.

    “O elemento que mais chama atenção no caso desse conjunto de machadinhas é o fato delas apresentarem lâminas confeccionadas em pedra, com encabamento em madeira”, explicou. Para o professor, esse material pode revelar processos de reaproveitamento e ressignificação de objetos antigos no presente, articulando conhecimentos ancestrais e usos contemporâneos.

    Ele observa ainda que cada peça possui formas específicas de encabamento, o que indica escolhas técnicas e culturais que podem estar associadas a saberes tradicionais preservados ao longo do tempo.

    Memória

    Responsável pela curadoria do acervo, o professor Marcelo de Souza Cleto, do curso de Ciências Sociais da UFT, explica que a trajetória do espaço acompanha o processo de consolidação da Universidade no Tocantins: “A trajetória do Acervo Povos Indígenas está ligada à implantação da Universidade Federal do Tocantins, movimento que ocorre no surgimento dos cursos, programas de pós-graduação, grupos de pesquisa, laboratórios e coleções que emergem nesse processo”.

    Segundo ele, experiências etnográficas desenvolvidas pelo professor Vanderlei Mendes entre os anos 2000 e 2012 contribuíram para a formação de um conjunto expressivo de objetos, base importante para a constituição do acervo atual.

    Atualmente localizado no Centro Histórico de Porto Nacional, o acervo reúne objetos de cultura material e imaterial de povos indígenas do Tocantins e também de outras regiões do país. Além da preservação, o espaço desenvolve ações de ensino, pesquisa, extensão, catalogação participativa e educação patrimonial, com visitas de escolas públicas e diálogo direto com comunidades indígenas.

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    Mais que objetos

    Marcelo Cleto destaca que o acervo não se limita à conservação material. “Trata-se de um espaço que ultrapassa a guarda de objetos e se afirma como laboratório ativo de produção de conhecimento, formação acadêmica e educação patrimonial”, ressaltou.

    O espaço reúne objetos de cultura material e imaterial de povos indígenas do Tocantins e também de outras regiões do país. Entre as atividades desenvolvidas estão a recepção de turmas de escolas públicas, ações educativas, pesquisas acadêmicas e processos de catalogação realizados em diálogo direto com os povos indígenas, buscando qualificar informações e assegurar legitimidade aos registros.

    Para sse ter uma ideia da importância do material reunido, em 2025, uma dessas ações resultou na restituição de patrimônio cultural ao povo Krahô, com a devolução de áudios preservados por aproximadamente 20 anos contendo entrevistas com um ancião da Aldeia Manoel Alves Pequeno.

    Universidades e saberes

    Para Marcelo Cleto, visitas como a do professor Lucas Bueno reforçam a relevância institucional do acervo e ampliam conexões acadêmicas. “Em visitas de pesquisadores externos, o acervo atua como ponto de convergência para o intercâmbio científico, ampliando redes de pesquisa, qualificando o debate acadêmico e reafirmando o papel da universidade pública na produção de conhecimento socialmente comprometido”, ressaltou.

    Ele destaca ainda, que a presença de estudiosos de outras instituições também contribui para dar visibilidade nacional ao patrimônio preservado pela UFT e ao potencial de pesquisa existente no Tocantins. Afinal, ao reunir memória, pesquisa e diálogo intercultural, o Acervo Povos Indígenas da UFT segue se consolidando como espaço estratégico para compreender histórias profundas do território tocantinense e valorizar os saberes dos povos originários.


    Tags:  Porto Nacional,  Ciências Sociais,  Pesquisa,  Acervo dos Povos Indígenas.  
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