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    UFT recebe calouros indígenas em ação de acolhimento e recepção no Câmpus de Palmas
    RECEPÇÃO DE CALOUROS

    UFT recebe calouros indígenas em ação de acolhimento e recepção no Câmpus de Palmas

    Iniciativa reuniu estudantes e representantes da Universidade para apresentar serviços, direitos e oportunidades disponíveis durante a trajetória acadêmica

    Por  Sofia Coelho e | Revisão: Paulo Aires  | Publicado em 25/08/2026 - 12:56  | Atualizado em 25/08/2026 - 14:26
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    Estudantes indígenas que ingressaram no segundo semestre de 2026 participaram, na manhã dessa segunda-feira (24), de uma recepção no Câmpus de Palmas, da Universidade Federal do Tocantins (UFT). A atividade foi organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e pelo Grupo de Trabalho Indígena e Quilombola (GTIQ), com apoio da Reitoria, da Superintendência de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidade (Saaid), da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proest) e da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), com o objetivo de acolher os novos estudantes, apresentar a estrutura da Universidade e aproximá-los dos setores institucionais responsáveis por seus direitos, bolsas, inclusão e permanência. 

    Para a superintendente da Saaid, Fabiana Scoleso, momentos de acolhimento são importantes para aproximar a Universidade dos estudantes e facilitar o acesso às informações sobre a vida acadêmica. “A universidade precisa, cada vez mais, criar canais eficazes para comunicar suas atividades administrativas e pedagógicas”, destacou. Segundo ela, conhecer de perto os estudantes também contribui para fortalecer a relação com as pró-reitorias e demais setores da instituição. 

    Fabiana ressaltou ainda que a UFT foi pioneira na implantação de cotas indígenas e que, desde então, vem aperfeiçoando suas políticas para garantir não apenas o ingresso, mas também a permanência desses estudantes. Ela destacou a criação da Saaid como um avanço nesse processo e citou a consolidação do primeiro concurso para professor indígena da Universidade como um marco para ampliar a inclusão docente e fortalecer as políticas de permanência. 

    A coordenadora da Coordenação de Políticas para Povos Indígenas e Quilombolas, Ana Claudia Batista Cardoso, também participou da recepção. Para ela, além de acolher, a iniciativa busca ouvir os estudantes e reconhecer os conhecimentos que chegam à Universidade com eles. “Os estudantes indígenas e quilombolas chegam trazendo suas línguas, suas memórias e seus conhecimentos, e a universidade está aberta para recebê-los, reconhecendo e valorizando toda essa diversidade”, afirmou. 

    Ana Claudia também destacou que a preocupação institucional vai além do acesso ao ensino superior. Segundo ela, é necessário criar condições para que os estudantes permaneçam na Universidade, tenham seus direitos assegurados e possam ter suas trajetórias reconhecidas. Nesse sentido, ela apontou o Observatório Copot como uma iniciativa que contribui para conhecer o perfil, as trajetórias e as demandas dos estudantes indígenas e quilombolas e, a partir dessas informações, fortalecer ações de acolhimento, permanência e inclusão. 

    Ao destacar que o maior desafio para os povos originários e tradicionais na universidade é a permanência, a presidente do Grupo de Trabalho Indígena e Quilombola (GTIQ), Janaína Batista Moreira, ressaltou que a criação da Superintendência de Ações Afirmativas, Inclusão e Diversidade foi essencial para abrir portas e aproximar a reitoria dos estudantes. Para ela, iniciativas de acolhimento são fundamentais para que os alunos se reconheçam no espaço acadêmico e sintam que a instituição também faz parte de suas identidades. "A nossa luta é transformar a universidade em uma extensão do nosso território e da nossa cultura, para que a gente possa se sentir confortável aqui dentro, ter saúde mental e construir um pedaço da nossa comunidade aqui dentro", afirmou.

    Entre os estudantes que participaram da atividade está Wender Sipiradi Xerente, calouro do curso de Enfermagem. Para ele, ingressar na UFT representa a realização de um sonho e a oportunidade de contribuir com seu povo. O estudante destacou a importância de ocupar espaços na área da saúde e representar os povos indígenas na profissão. 

    “Eu estou realizando um sonho de criança e de poder mostrar para o meu povo que os indígenas também podem”, relatou Wender. Ele também ressaltou o desejo de ajudar outras pessoas por meio da profissão e a importância de lutar pelos direitos e ocupar espaços dentro da Universidade. 

    Destacando a importância de uma recepção para os novos universitários, o estudante do primeiro período de Administração na UFT, Clayton Javaé, avaliou como fundamental o evento para apresentar a estrutura e as oportunidades da instituição logo na chegada. Para ele, iniciativas como essa facilitam a adaptação dos calouros, ajudando-os a conhecer de perto os canais de atendimento, as pró-reitorias e a localização de editais de bolsas e auxílios. "Desde o primeiro momento em que a gente entra na universidade, é muito importante ter essa orientação para se sentir acolhido, saber onde procurar um edital de bolsa e conhecer as pró-reitorias", destacou o estudante.

    Presidente do DCE e estudante do curso de Direito, Ricardo Makraweko de Brito Xerente explicou que a recepção surgiu a partir da percepção de que os novos estudantes precisavam de um momento específico para conhecer a estrutura universitária, interagir com outros povos tradicionais e se aproximar das autoridades e setores da UFT. 

    Segundo Ricardo, a proposta também é levar a iniciativa para outros câmpus da Universidade, ampliando as oportunidades de acolhimento. Para ele, acompanhar a chegada de novos estudantes indígenas representa uma experiência positiva, especialmente porque muitos enfrentam dificuldades financeiras e precisam deixar suas famílias e cidades de origem para estudar. 

    O estudante também defendeu a ampliação das oportunidades de bolsas e de ações de recepção. Para Ricardo, iniciativas desse tipo podem contribuir para que os estudantes tenham melhores condições de permanecer na Universidade e seguir em busca de seus objetivos acadêmicos e profissionais. 

    A recepção integra o esforço da UFT para fortalecer políticas de inclusão e permanência de estudantes indígenas, quilombolas e de outros povos e comunidades tradicionais. A proposta é aproximar esses estudantes da instituição desde o início da trajetória acadêmica, criando espaços de escuta, troca de experiências e acesso às informações necessárias para a vida universitária.

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    Tags:  Calouros,  Calourada Indígena,  GTIQ.  
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