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Perfil da primeira turma do curso de IA da UFT reflete diversidade social e reforça papel da Universidade na inclusão tecnológica
Um levantamento realizado com estudantes que ingressaram este semestre no recém-lançado Bacharelado em Inteligência Artificial da Universidade Federal do Tocantins (UFT) revela que o curso atrai um público diverso, com forte potencial para atuar no campo da tecnologia, e reforça o papel da instituição de promover a inclusão social em áreas estratégicas. De acordo com os dados, cerca de 76% dos estudantes desta primeira turma vieram de escolas públicas de Ensino Médio, com prevalência de pretos e pardos, e de meninos. Somente 28% das estudantes são meninas, revelando um desafio ainda presente de ampliação da presença feminina no setor tecnológico.
Apesar de se tratar de um curso altamente técnico, a turma apresenta um perfil em formação: 84% dos estudantes afirmaram ter pouco ou nenhum conhecimento prévio em programação, o que indica o papel central da Universidade na construção dessas competências ao longo da graduação. Ao mesmo tempo, todos os estudantes disseram já ter tido algum contato com ferramentas de Inteligência Artificial, ainda que em nível básico.
Outro aspecto relevante diz respeito ao domínio da língua inglesa, competência essencial na área de tecnologia. Os dados indicam que a maioria dos estudantes considera ter nível básico ou intermediário no idioma, com poucos relatando fluência avançada. Considerando que grande parte da produção científica e das ferramentas de Inteligência Artificial está disponível em inglês, o dado aponta tanto um desafio quanto uma oportunidade de fortalecimento da formação acadêmica ao longo do curso.
Para o coordenador do curso, professor David Nadler, o levantamento revela uma turma heterogênea, jovem e com forte presença de estudantes oriundos da escola pública, o que reforça a importância de uma política pedagógica inclusiva e de acolhimento acadêmico desde o início do curso. "Também chama atenção a diversidade etária e formativa, com parte significativa dos alunos já tendo vivência prévia em outras graduações ou em trajetórias de estudo e trabalho, o que pode enriquecer muito as discussões em sala e o desenvolvimento de projetos", comenta ele.
Segundo ele, o grupo apresenta motivação clara para temas centrais da área, especialmente ciência de dados, machine learning, visão computacional, robótica e, de modo muito expressivo, aplicações de IA em saúde. Ao mesmo tempo, há diferenças importantes no nível de preparação inicial: enquanto alguns estudantes já possuem experiência com programação, análise de dados e até desenvolvimento de projetos, outros chegam com conhecimentos ainda básicos em matemática, lógica e leitura em inglês.
"Esse cenário indica que o curso deve combinar rigor acadêmico com estratégias de nivelamento, tutoria e acompanhamento contínuo, sobretudo em programação, matemática, estatística e letramento técnico em inglês. Também é fundamental valorizar metodologias ativas, aprendizagem baseada em projetos e atividades colaborativas, pois o próprio perfil discente mostra forte identificação com resolução de problemas, trabalho em equipe e desenvolvimento prático", destaca o professor.
Para Nadler, do ponto de vista da gestão do curso, o perfil reforça a necessidade de políticas de permanência, apoio pedagógico e acessibilidade, incluindo atenção a estudantes com neurodivergência e demandas específicas de adaptação. "Em síntese, trata-se de um público promissor, diverso e comprometido, que tem potencial para construir uma formação sólida em IA desde que encontre um ambiente acadêmico estruturado, acolhedor e orientado à progressão gradual das competências", pontuou.