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Mesa-redonda discute reforma do conhecimento, transdisciplinaridade, extensão e conexão entre saberes
Na manhã desta quarta-feira (03), no auditório da Reitoria, ocorreu a mesa-redonda "Por uma Reforma do Conhecimento", como parte da programação do Seminário Internacional Complexidade, Natureza e Futuro - Escola Internacional de Verão do Futuro Edgar Morin. A mesa-redonda, mediada pelo professor Ladislau Nascimento (diretor do Câmpus de Miracema), contou com a participação da reitora da UFT, doutora em Educação, professora Maria Santana; do pesquisador e pegagogo, doutor Werner Wintersteiner, do Instituto da Paz / Viena e professor emérito da Klagenfurt University (Áustria); e da pedagoga (servidora na UFT), mestra e doutoranda em Educação, Josivânia Sousa Costa Ribeiro.
Em sua fala - na palestra intitulada "Um modo de conhecimento, um modo de vida, desejos indesejáveis - sobre Política e Pedagogia Transformadoras" -, o professor austríaco destacou a necessidade de reflexão em torno dos obstáculos institucionais, epistemológicos e pedagógicos existentes e em que medida eles impedem a vontade e a capacidade de uma transformação / metamorfose necessária e benéfica. Ele destacou a necessidade de reformar o pensamento e traz uma crítica ao conhecimento que é fragmentado por disciplinas e uma visão de mundo descontextualizada. Para ele "educar não significa apenas estimular desejos e ambições individuais, mas criar condições para que as pessoas reflitam criticamente sobre os desejos e avaliem seus impactos sobre si mesmo e sobre os outros".
Josivânia Sousa frisou, em sua fala, falou sobre a curricularização da extensão na Universidade e a necessidade de a instituição promover a troca de saberes. "É preciso mudar a forma de pensar, dessa forma fragmentada, olhando só um lado; é preciso incluir outros saberes", pontuou a palestrante. Ela destacou ainda que a complexidade é tecida junta, urdida de forma conjunta, coletiva. Ela afirma que a universidade precisa se colocar na condição de aprendiz, para "sair desse lugar de conhecimento superior e (se) colocar na condição de aprendiz". Abordou a necessidade de diálogo e incentivo para a transdisciplinaridade, incluindo outros saberes que - por vezes - estão fora do ambiente universitário. "Não somos formados para sair, para ir ao encontro dos outros", pontuou, reforçando a urgência da escuta das comunidades.
A reitora Maria Santana instigou os participantes a se desacomodarem e a mudarem o pensamento no sentido de uma reeducação por meio da educação continuada. Citando Edgar Morin ("Mais vale uma cabeça bem feita do que bem cheia"), Maria Santana frisou que há uma necessidade urgente de reforma do pensamento. Historiou sobre o crescimento da UFT desde 2003, relatando os diversos ciclos de crescimento pelos quais a Universidade passou.
Segundo ela, a Universidade precisa de reconexão com seus objetivos primordiais, com diálogo entre as diversas áreas do conhecimento. "Temos diversas coisas que precisam ser conectadas. Estamos insatisfeitos. Como conectar tudo isso? A ideia é justamente essa, não ter um monte de coisa, mas focar numa matriz, que é o Centro de Referência Edgar Morin, uma matriz formativa". Maria Santana destacou ainda que é preciso superar os modelos atuais e o modo como a universidade opera a formação de professores, com discussão pelos câmpus e enfocando a transdisciplinaridade e buscando a conexão de tudo que a Universidade tem e produz. "Temos uma extensão forte, mas ela precisa - mais ainda - sair dos muros da universidade. Trabalhar a partir das vivências reais", pontuou. Ela ainda demonstrou que o Instituto Edgar Morin vai propiciar a criação de espaços integrados entre as diferentes áreas do conhecimento; trabalhar a reformulação dos currículos, por problemas e não por disciplinas; e conectar a teoria com a realidade local, por meio da extensão.
Assista a íntegra desta mesa-redonda no vídeo que está no canal oficial da UFT no Youtube:
