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Diversidade e empreendedorismo social brilham na passarela do Incubadora Fashion Day
Vestindo roupas e acessórios originais, únicos e produzidos com diferentes técnicas artesanais, modelos amadores e profissionais coloriram uma passarela montada no hall do bloco da Reitoria da Universidade Federal do Tocantins (UFT) na tarde de quarta-feira, 1º de julho, no principal momento da programação do Incubadora Fashion Day. Além de curtir o desfile, o público, formado por participantes da Incubadora Social, estudantes e servidores da UFT, pôde comprar produtos artesanais em diversas bancas na feira de empreendedorismo social, também parte do evento que movimentou o espaço durante todo o dia, e em seguida aproveitar as atrações do Arraiá da Integração.
O desfile foi puxado pelo Príncipe Adam, o Mister Palmas, convidado especial do evento. Atrás dele passaram pelo tapete vermelho estudantes, professores, técnicos e funcionários terceirizados da UFT ao som do repertório preparado pelo DJ SVRO, aluno do Curso de Jornalismo.
Quem trabalhou nos bastidores da confecção das peças apresentadas e comercializadas no evento também ganhou protagonismo na passarela: as costureiras criadoras da coleção, a instrutora de empreendedorismo, Luana Bianchin Mozzaquatro, e a consultora de moda da Incubadora Social, Karen de Cássia Assis, também desfilaram, fechando o trabalho de pré-incubação dos grupos de costureiras.
"É emocionante demais ver a Maria, que a gente está acostumada a encontrar trabalhando na beira do fogão aqui na copa, brilhando hoje nesse tapete vermelho", comentou a coordenadora pedagógica da Incubadora Social, Ariadne Feitosa, destacando que o desfile priorizou a inclusão e a diversidade de pessoas com diferentes biotipos, gêneros e idades, especialmente aqueles normalmente excluídos dos espaços de protagonismo e da moda.
"Foi a primeira vez que pisei numa passarela, mas quando as meninas me fizeram o convite eu não tinha como eu recusar, falei sim na hora. E foi uma sensação incrível! No começo fiquei nervosa, mas depois que eu estava lá, foi ótimo!", vibrou a copeira Maria Silva Santos ao final da experiência inédita para ela.
As peças das coleções apresentadas foram produzidas a partir de quase 400 quilos de roupas apreendidas e doadas pela Delegacia da Receita Federal em Palmas (DRF/Palmas) ao projeto Incubadora Social da UFT.
"Nós temos toneladas e toneladas desses materiais para serem incineradas, mas é muito bom poder dar uma destinação social que ameniza também o impacto ambiental disso. Obrigada à Universidade por nos abrir as portas e permitir que a gente faça algo para transformar tudo isso, que é produto de crime, em algo capaz de impactar positivamente a realidade social", disse o delegado da Receita Federal em Palmas, Ricardo Gomes.
A reitora da UFT, Maria Santana Milhomem, que também desfilou, destacou o papel da equipe da Incubadora e, especialmente, da coordenadora pedagógica do projeto, Ariadne Feitosa. "Eu sou a coordenadora-geral, mas é ela quem fez tudo isso aqui acontecer; que veste, literalmente, a camisa desse projeto todos os dias, e continua abrindo caminhos e fortalecendo parcerias para viabilizar ações sociais importantes da nossa Universidade", elogiou a reitora.
"A sensação agora é de dever cumprido, de ter cumprido o nosso compromisso social e socioambiental e de levar essa universidade para fora dos muros do câmpus, e de trazer, também, a comunidade aqui para dentro. Meu coração está aliviado e feliz com os resultados positivos e com a receptividade que teve esse nosso primeiro Incubadora Fashion Day", disse Ariadne ao final do evento.
O trabalho de pré-incubação dos grupos de mulheres selecionados foi desenvolvido por cerca de dois meses, período durante o qual as participantes receberam mentoria de empreendedorismo e consultoria de moda e customização para o desenvolvimento das coleções. Parte desse trabalho foi realizado no espaço cedido pela organização Unidos Por Um Mundo Melhor (UPMM), na sede da Associação de Moradores do Setor Aureny I.
"Tudo isso é novo pra gente, né? E foi um desafio construir peças a partir de outras peças. Fácil é você pegar um tecido novo e costurar, agora você pegar uma peça já pronta e transformar em outra roupa, é bem diferente. Então é muito satisfatório ver esse resultado e ver que as pessoas gostaram. Só tenho a agradecer a Deus, a minha família e a todos que nos deram esse apoio, porque foi muito importante pra nós. E agora vamos continuar costurando, produzindo novas peças, novas criações e muitas novidades!", disse a empreendedora social Elisabeth Pereira de Souza.
"Muita emoção, meu Deus, quanta emoção! Esse desfile hoje foi um sonho realizado e, depois de tanta dedicação, tudo valeu a pena! Pra mim, que não mexia com malha, o mais difícil nesse processo foi pegar aquelas camisetas e cortar mesmo. Mas aí depois a gente perdeu o medo, as peças começaram a aparecer e foi uma maravilha! Agora é continuar costurando, fazendo as roupas pet, que tiveram muita procura... E roupas esportivas e saídas de banho, que o pessoal gostou muito também", comentou Maria José Rocha da Silva Alves, outra cocriadora da coleção apresentada.
"A sensação agora é de gratidão, gratidão mesmo, a Ariadne, que confiou em nós, a Karen, que sempre teve paciência, amor e carinho... Nesse processo eu percebi que a minha criatividade aumentou muito, vieram muitas ideias, inspirações e eu acreditei, eu vi que eu posso criar coisas assim, que eu tenho capacidade pra isso. Eu tô muito feliz, não dá nem pra descrever o quanto eu tô feliz!", afirmou a também integrante do grupo de costureiras, Leila Dângelo Elói da Silva.
A intenção é que numa próxima etapa do projeto seja possível avançar com a estruturação desses grupos como associações de costureiras que possam continuar com o trabalho de reaproveitamento de materiais para a produção de itens de moda (upcycling) de modo a gerar renda para as famílias envolvidas, autonomia para as mulheres, e impacto socioambiental positivo.