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Acadêmicos de Serviço Social discutem violência contra criança e adolescente em Miracema
A atividade acadêmica desenvolvida pelos discentes do sexto período, Lineger Silva Carvalho e Luzileia Batista de Castro, no dia 5 de julho, aos matriculados na disciplina “CCEx III - Políticas de Proteção e Seguridade Social II”, foi conduzida pela professora Débora de Paula Bolzan, que levou para o Câmpus o importante e necessário debate acerca da violência contra criança e adolescente.
A atividade contou com a participação das conselheiras tutelares Ducélia Ferreira e Juliane Santana Menezes, que explanaram sobre as deficiências da rede de atendimento às crianças e adolescentes de Miracema, como a falta de um abrigo e de famílias acolhedoras. As conselheiras abordaram as dificuldades e desafios enfrentados no cotidiano de trabalho, como “a negligência de pessoas próximas e da própria família, que deveriam cuidar e proteger, mas há uma grande quantidade de violações aos direitos de crianças e adolescentes que acontece dentro da própria família”, ressalta Ducélia.
Outro desafio se trata da “normalização da sociedade em relação aos casos de violência física. As pessoas naturalizam os casos de espancamento, são vizinhos que se omitem, familiares que concordam. Isso nos entristece muito, quando a própria família oculta, omite e pratica a violência”, descreve Ducélia.
Os relatos de experiências suscitaram os debates sobre as mudanças culturais necessárias e urgentes em nossa sociedade, para que crianças e adolescentes sejam efetivamente protegidos e tratados como sujeitos de direitos.
O debate sobre violência contra crianças e adolescentes está intrinsecamente interligado aos fundamentos do trabalho em Serviço Social, uma vez que essa expressão da questão social não se manifesta de forma isolada em nossa sociedade, isto é, ela está umbilicalmente interligada a outras expressões, como a pobreza, condições de moradia precárias e histórias de abandono e de violência na família.
Para a conselheira tutelar Juliane, as questões levantadas durante a atuação são maiores, “nos deparamos com muitos casos de negligência com cuidados básicos de saúde, com falta total de hábitos de higiene, com moradias em condições muito insalubres. Também nos deparamos muito com abandono de incapaz: crianças sem comida, sem estudar, crianças na rua até de madrugada, frequentando lugares inapropriados, lugares de drogas e muitas já envolvidas no tráfico e sendo vítimas de exploração sexual”, pontuou.
Como as falas apontam, na realidade social de Miracema, as expressões da questão social têm feito vítimas crianças e adolescentes. O debate fomentado durante a atividade chamou a atenção para os desafios e limites da política social na sociedade contemporânea, enfocando as expressões da questão social mais nítidas em Miracema, o papel do município e das políticas de proteção social à criança e adolescente.