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Conceito

A pediculose é causada pela infestação pelo Pediculus humanus corporis (piolho do corpo) ou pelo Pediculus humanus capitis (piolho do couro cabeludo). O tifo epidêmico (causado por Rickettsia prowazekii), a febre das trincheiras (causada por Bartonella quintana) e a febre recorrente (causada por Borrelia recurrentis) podem ser transmitidos pelo piolho do corpo. O piolho do couro cabeludo nunca foi descrito como vetor para essas doenças, entretanto, a transmissão da Rickettsia prowazekii por esse ectoparasita foi demonstrada em laboratório. É possível que o P.humanus capitis seja agente transmissor da rickettsiose em epidemias que foram principalmente causadas pelo P. humanus corporis.

O piolho do couro cabeludo comumente causa infecções secundárias e foi considerado uma das causas principais de impetigo nas populações de países em desenvolvimento. As crianças infestadas podem apresentar baixo desempenho escolar por dificuldade de concentração, conseqüência do prurido contínuo e distúrbios do sono. Crianças com infestação severa também podem desenvolver anemia devido à hematofagia do piolho.

A pediculose da cabeça é uma doença parasitária que atinge principalmente crianças em idade escolar e mulheres e é transmitida pelo contato direto interpessoal ou pelo uso de utensílios como bonés, escovas ou pentes de pessoas contaminadas. Essa parasitose tem como característica principal prurido intenso no couro cabeludo, principalmente na parte de trás da cabeça e que pode atingir também o pescoço e a região superior do tronco, onde se observam pontos avermelhados. Com o prurido e o ato instintivo de coçar as lesões, podem ocorrer infecções secundárias por bactérias, levando inclusive ao surgimento de gânglios no pescoço.

Geralmente a doença é causada por poucos parasitas, o que torna difícil encontrá-los, mas em alguns casos, principalmente em pessoas com maus hábitos higiênicos, a infestação ocorre em grande quantidade. Achado comum que fecha o diagnóstico de pediculose são as lêndeas, ovos de cor esbranquiçada depositados pelas fêmeas nos fios de cabelo.

A escabiose, conhecida popularmente como sarna, é uma doença parasitária, causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. É uma doença contagiosa transmitida pelo contato direto interpessoal ou através do uso de roupas contaminadas. O parasita escava túneis sob a pele onde a fêmea deposita seus ovos que eclodirão em cerca de 7 a 10 dias dando origem a novos parasitas.

A escabiose tem como característica principal a coceira intensa que, geralmente, piora durante a noite. O prurido cutâneo leva comumente a uma infecção secundária e é causado por uma reação alérgica a produtos metabólicos do ácaro. A lesão típica da sarna é um pequeno trajeto linear pouco elevado, da cor da pele ou ligeiramente avermelhado e que corresponde aos túneis sob a pele. Esta lesão dificilmente é encontrada, pois a escoriação causada pelo ato de coçar a torna irreconhecível. Na maioria dos casos, encontram-se pequenos pontos escoriados ou recobertos por crostas em consequência do ato de coçar. Assim como ocorre na pediculose, é possível a infecção secundária destas lesões com surgimento de pústulas e crostas amareladas.

As lesões atingem principalmente os seguintes locais: abdomem, flancos, baixo ventre, umbigo, pregas das axilas, cotovelos, punhos, espaços entres os dedos das mãos e sulco entre as nádegas. Nos homens, localização característica são os genitais, onde formam-se lesões endurecidas e elevadas no pênis e na bolsa escrotal, que coçam muito. Nas mulheres, é comum os mamilos serem afetados pela doença. Nos bebês, o acometimento das plantas dos pés e palmas das mãos é frequente. A escabiose raramente atinge a pele do pescoço e da face, exceto nas crianças, em quem estas regiões podem também ser afetadas.