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    Escola Sem Fake News retoma atividades com palestra online sobre racismo e linguagem algorítmica
    EVENTO ONLINE

    Escola Sem Fake News retoma atividades com palestra online sobre racismo e linguagem algorítmica

    Transmitida pelo YouTube, palestra do professor Júlio Araújo (UFC) aborda o livro Necroalgoritmização e questiona a suposta neutralidade das ferramentas digitais

    Por  Fabiana Araújo e | Revisão: Paulo Aires  | Publicado em 24/08/2026 - 20:02  | Atualizado em 25/08/2026 - 17:58
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    Nesta terça-feira (25), às 19h, ocorrerá a palestra online “Textualidade Algorítmica”, com o professor Júlio Araújo, da Universidade Federal do Ceará (UFC). A transmissão será realizada pelo canal no YouTube do projeto de extensão da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e visa debater os impactos das tecnologias na sociedade.

    Acesse aqui o canal - Escola Sem Fake News

    O encontro é gratuito, aberto ao público e abre a programação do semestre dedicada ao estudo do livro “Necroalgoritmização: Notas para Definir o Racismo Algorítmico” (Mercado de Letras, 2025), de autoria do palestrante. A publicação será o ponto de partida para refletir sobre linguagem, tecnologia, racismo e estruturas de poder no meio digital.

    Segundo a coordenadora do projeto, Mariana Peixoto, a escolha da obra se justifica por sua extrema relevância e atualidade. Para ela, o debate sobre o funcionamento das plataformas digitais e a circulação de informações torna-se ainda mais urgente diante do contexto social contemporâneo. Além disso, a professora destaca a necessidade de desmistificar a ideia de que os algoritmos são ferramentas neutras, evidenciando como as desigualdades socioeconômicas e as relações de poder também se reproduzem no ambiente virtual.

    A iniciativa busca conectar essa reflexão teórica à prática educativa, transformando as discussões em recursos concretos para o ensino. O objetivo final é fornecer subsídios que fortaleçam a atuação pedagógica dos docentes e promovam uma formação cada vez mais crítica entre os estudantes, tanto em sala de aula quanto em outros espaços de aprendizagem.

    “As discussões do semestre no grupo se dão pela relevância do trabalho de Júlio Araújo. O debate ganha ainda mais importância diante da proximidade de um novo período eleitoral, quando a circulação de informações e o funcionamento das plataformas digitais voltam a ocupar lugar central nas discussões públicas. Essa pertinência também está relacionada à necessidade de problematizarmos a ideia, ainda bastante difundida, de que as tecnologias digitais e os algoritmos que as constituem seriam meras ferramentas neutras. Ao contrário, devemos problematizar os modos como relações de poder e desigualdades socioeconômicas também operam no ambiente digital. A partir desse debate, queremos construir subsídios para fortalecer a prática pedagógica e promover uma formação mais crítica dos alunos, seja na sala de aula ou em outros ambientes de aprendizagem”, ressalta.
    Marco Túlio Câmara, docente da UFT e coordenador de comunicação do Escola Sem Fake News. (Foto: Divulgação)

    Para o docente do curso de Jornalismo e do PPGCom/UFT, Marco Túlio Câmara, a discussão ganha ainda mais força diante das rápidas transformações no ecossistema comunicacional contemporâneo.

    “Não tem como falar de comunicação atualmente sem passar pelo espaço digital, especificamente sobre os algoritmos. Pensar criticamente como eles funcionam e operam, considerando o impacto social, é fundamental na formação não só de professores, público-alvo do nosso projeto, mas como sociedade que consome tais produtos. As reflexões do Júlio Araújo levantam o debate crítico sobre o que vemos e como isso molda nosso olhar para o mundo”, pontua.
    Júlio Araújo, professor titular da UFC e autor da obra “Necroalgoritmização: notas para definir o racismo algorítmico”. (Foto: Divulgação)

    O pesquisador Júlio Araújo defende que a linguagem é o elemento central no ecossistema digital, pois os algoritmos funcionam como textos que produzem sentidos e interferem na sociedade.

    “ Os algoritmos participam da produção de sentidos: decidem quais conteúdos ganham visibilidade, quais vozes alcançam circulação e quais sujeitos permanecem nas margens. Por isso, defendo que o algoritmo também funciona como texto. Ele interpreta sinais, estabelece associações e produz respostas que interferem concretamente na maneira como pessoas e grupos são representados, reconhecidos e tratados”, afirma..

    A projeto é fruto de uma cooperação interinstitucional entre a Universidade Federal do Tocantins (UFT), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Instituto Federal de Alagoas (IFAL), vinculada ao curso de Jornalismo e ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Sociedade (PPGCom) da UFT.


    Tags:  PPGCom,  Jornalismo,  UFC,  UFSCar,  IFAL.  
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