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Curso de graduação em Pedagogia Intercultural Indígena promove suas primeiras atividades no Câmpus de Miracema
O curso de Pedagogia Intercultural Indígena, do Câmpus de Miracema, iniciou as atividades no último dia 5 de janeiro de 2026. O processo seletivo recebeu cerca de 400 inscrições, e 44 vagas foram preenchidas por estudantes indígenas de diferentes regiões do Tocantins. O curso integra o projeto de expansão do Câmpus desde 2013 e atende a uma demanda antiga da comunidade acadêmica.
A primeira semana de atividades contou com ações de acolhimento e atividades formativas. A Secretaria Acadêmica orientou os estudantes sobre matrícula, acompanhamento acadêmico e uso do email institucional. O Setor de Assistência Estudantil acompanhou o cadastro na Bolsa Permanência/MEC e a emissão de carteirinhas do Restaurante Universitário (RU).
Professores do Núcleo Docente Estruturante (NDE), como Antônio Miranda, Juliana Chioca Ipólito e Márcio Bernardes de Carvalho, participaram do acolhimento com falas de incentivo aos acadêmicos. A abertura oficial do curso reuniu o vice-reitor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), professor Marcelo Leinecker; o pró-reitor de Assistência Estudantil, professor Kherlley Barbosa, além de representantes das pró-reitorias de Graduação e de Extensão, reforçando o compromisso institucional com a inclusão.
As atividades tiveram início com a aula temática “Linguagem e suas relações”, que abordou língua, oralidade, escrita, troncos linguísticos, línguas indígenas e gramática, sempre a partir da realidade dos territórios. Na quinta-feira à noite, os estudantes participaram de um cine-debate com o filme Xingu, seguido de uma roda de conversa que aprofundou as discussões iniciadas em sala.
Para o diretor do Câmpus de Miracema, professor Ladislau Nascimento, o curso representa um avanço institucional. “O curso de Pedagogia Intercultural Indígena marca um momento histórico para a Universidade Federal do Tocantins e, de forma especial, para o Câmpus de Miracema. Construímos conhecimentos de forma compartilhada, com base no diálogo intercultural e no respeito aos valores, saberes e culturas dos povos originários. O curso amplia as ações do Câmpus na região e fortalece a interiorização do ensino superior”, destacou.
A abertura do curso representa um marco para a UFT e para as comunidades indígenas, ao reforçar o compromisso da Universidade com a inclusão, a valorização da diversidade cultural e a formação de professores indígenas.
Segundo a coordenadora do curso, professora Luciane Silva de Souza, a UFT tem papel fundamental nesse processo, ao reconhecer a pluralidade de saberes e fortalecer as políticas de acesso ao ensino superior. Para o Câmpus de Miracema, o curso amplia o diálogo intercultural e o impacto social da instituição na região. Para as comunidades indígenas, garante uma formação que respeita seus modos de vida, línguas, saberes e tradições, além de contribuir para a formação de lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável e a defesa de direitos.
A implantação do curso resultou de um trabalho coletivo que envolveu a Coordenação, o Colegiado do curso de Pedagogia, professores de outros cursos do Câmpus, técnicos administrativos e representantes das comunidades indígenas da região.
Também participaram do processo o Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a gestão superior da universidade, com apoio da Reitoria, das pró-reitorias e da Direção do Câmpus.
O processo exigiu diálogo constante, planejamento conjunto e atenção às especificidades dos povos indígenas. A coordenação destaca a elaboração de uma proposta pedagógica intercultural e a mobilização para garantir condições básicas para o início do curso, como alojamento, alimentação, apoio ao cadastro na Bolsa Permanência e organização da documentação para o Piso/Cubo.
A Coordenação do curso demonstra grande expectativa em relação a uma formação significativa, baseada no respeito à diversidade e na valorização dos saberes indígenas. A expectativa é que os estudantes se desenvolvam academicamente e atuem como agentes de transformação em suas comunidades.